Mulheres ocupam cada vez mais espaços

Mulheres ocupam cada vez mais espaços

Cerca de 37% de todos os profissionais de TI no Brasil são mulheres, mas o mercado ainda precisa evoluir

EXCLUSIVO – As lutas das mulheres por igualdade e equidade na sociedade estão longe de acabar, mas podemos enaltecer as conquistas para que elas possam ser o que elas quiserem ser.

Quando falamos sobre o Mês da Mulher, muitos citam as 129 operárias que morreram em uma fábrica têxtil em Nova York, onde lutavam por seus direitos. Essa história, entretanto, é muito mais extensa.

Durante a I e a II Guerra Mundial, os homens iam para as batalhas e as mulheres assumiam os negócios da família ou faziam doces e bolos para suprir as necessidades financeiras até que seus maridos voltassem, se voltassem. Alguns deles voltavam mutilados, sem condições de voltar ao mercado de trabalho, e a mulher virava a provedora do lar, mesmo ganhando bem menos.

A justificativa era que cabia ao homem cuidar financeiramente do lar. Por volta de 1839, na Alemanha, as mulheres conquistaram o seu direito de trabalhar, mas eram exploradas com longas jornadas. Em 1919 foi criada a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabeleceu recomendações trabalhistas como as 8 horas de trabalho, igualdade salarial, descanso semanal e salário mínimo.

Em 2020 ainda há muito o que discutir sobre o histórico dos direitos das mulheres. Por volta do século XVII, o movimento feminista começou a ganhar ares de ato político, na busca por mais igualdade da mulher na sociedade. Segundo estudo da Prefeitura de São Paulo, no 3º trimestre de 2020 o salário de mulheres com ensino superior era de R$ 6.561 contra R$ 8.726 dos homens. No mesmo período de 2021, ambos valores sofreram queda, mas ainda existe a discrepância de valores.

 

Mercado da Tecnologia

As mulheres vêm ocupando cada vez mais espaços. Um deles é da tecnologia, onde elas representam cerca de 37% de todos os profissionais do setor no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

O desafio é maior quando se trata de chegar em cargos de liderança nessas empresas. Segundo pesquisa anual da consultoria KPMG, em parceria com a Harvey Nash, a participação de mulheres em posições sêniores em tecnologia na América Latina está, atualmente, em 16%. A percentagem é significativamente maior do que os 4% de representatividade feminina nestas funções em países como o Reino Unido, e superior à média global de 11%.

Denise Oliveira, CEO da fitinsur

“Nós mulheres, que encontramos e ocupamos nossos espaços, temos que incentivar, apoiar e inspirar outras para que estas se tornem inspiração para que mais mulheres possam fomentar isso como uma nova realidade”, diz Denise Oliveira, CEO da fitinsur.

Denise acredita que as mulheres devem apoiar os homens, mostrar o seu conhecimento e que sabem ensinar, compartilhar ideias para todos possam crescer juntos, “pois esse é o objetivo final”. “Não queremos ultrapassar os homens, queremos apenas gerar oportunidades com mais equidade para todos”, ressalta.

Denise conta que começou a trabalhar aos 14 anos, largou duas faculdades e escolheu o TI por ser boa em excel. Na área ela começou a atuar no ano 2000 e trabalhou em várias consultorias multinacionais, até fundar o próprio negócio. “Foi um processo de adaptação muito grande, pois eu era uma outsider, fora do status quo, formada em colégio estadual e faculdade privada, que não tinha networking”, explica.

A executiva relata as dificuldades enfrentadas no mercado. “Tive me adaptar muito e foi bem desafiador pela forma que me comunicava, como me vestia, a aceitação da minha aparência e forma física, a capacidade de negociação e de fazer política”, relata.

O empreendedorismo veio com o objetivo de criar um ambiente no qual mulheres pudessem chegar mais longe sem precisar se adaptar tanto. Como mulher negra, Denise diz que na tentativa de se encaixar, elas alisam o cabelo, usam maquiagens que afinam o nariz, entre outros métodos. E que muitas vezes é preciso um resgate de origens. “Acho que o mais urgente é que isso pare! Depois, tem que ter um (re)começo, com mais cotas em universidades (e olha que critiquei muito o sistema de cotas no passado e hoje defendo ferozmente), e entre nós precisamos de uma rede de apoio mútuo e fomento, pois também consumimos, gerimos e podemos fomentar e promover a equidade, dar oportunidade. Esse é um débito social que todos nós temos obrigação de ajudar a sanar”, ressalta.

Desde a fundação, a fitinsur esteve sob uma gestão majoritariamente feminina para tirar toda a operação do chão. Além de ter programas internos de inclusão das minorias. “Somos uma empresa que nasceu com um investimento próprio e em menos de dois anos alcançou o break-even e cresceu em faturamento e em tamanho 10 vezes o investimento inicial. Coincidência ou não, trata-se de uma empresa liderada predominantemente por mulheres”, explica Denise.