Por Marcio Serôa de Araújo Coriolano* 

Como examinado anteriormente em cada segmento que compõe o mercado integral de seguros, depreende-se que ele é afetado pelo comportamento daqueles que mais contribuem relativamente para o agregado das receitas. Exemplo máximo é o VGBL, que tinha participação relativa de perto de 43% do total em julho de 2024, para agora situar-se na ordem de 27%.

Então, sabe-se que qualquer movimento do Governo ou da conjuntura da demanda que aumente ou diminua a sua penetração, tem decisiva influência no comportamento do setor de seguros como um todo. Essa assertiva, que também constou dos nossos últimos boletins, é mais importante ainda em vista do que comentamos sobre a incidência do IOF sobre aportes do VGBL.

Pelos dados do fechamento do ano de 2025, que mostram recuperação pelo efeito do mês de dezembro, e a despeito da perda agregada de arrecadação do VGBL, estima-se que o segmento de Danos e Responsabilidades, secundado pelo segmento de Pessoas, também recuperou sua resiliência. A presença de maiores riscos da natureza – bem como de roubos e danos ao patrimônio – e as ações proativas das seguradoras devem estar a explicar a melhora do desempenho que alcançou a grande maioria dos ramos de Danos e Responsabilidades e os ramos de vida risco, prestamista e garantias.

Sinteticamente, a conclusão geral sobre o desempenho do mercado integral de seguros, previdência privada e capitalização brasileiro é que a variação da arrecadação no regime de 12 meses móveis, que reputamos ser a melhor medida estatística tendencial, voltou a cair para o campo negativo, agora com menos 4,8% ante menos 3,3% em novembro.

Isso como resultado da taxa negativa contra o mesmo mês de dezembro de 2024, de menos 5,6%. A queda das taxas em 12 meses móveis foi consistente ao longo do ano, chegando a níveis negativos desde setembro. Apenas para comparação, na base do fechamento de 2024 a variação havia sido positiva da ordem de 12,3%.

Já quando seguimos a opção analítica agora adotada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e, antes, pelo IRB Re (que não considera a Capitalização) e examinamos o desempenho segregado do chamado mercado segurador “estrito senso”; vale dizer sem o VGBL, sem os planos de previdência privada aberta e com Capitalização, de forma a retirar os seus recentes efeitos trazidos pela nova tributação, temos o seguinte resultado:

I) No mês de dezembro, a arrecadação desse segmento exclusivo de seguros foi de R$ 23,7 bilhões (61% do mercado integral incluindo o VGBL, os planos de previdência e a Capitalização).

II) No critério de evolução em 12 meses móveis, que, repetimos, é a melhor medida de tendência estatística, houve pequena melhora, passando dos 7,4% de novembro para 7,6% no fechamento do exercício. Isso, pelo aumento, comparativo a novembro, da variação mensal, passando do campo negativo de 10,2% para o positivo de 16,2%. Produzindo, igualmente, aumento comparativo da variação contra igual mês de 2024 para 10%.

Estimamos que a plena recuperação da capacidade de atendimento do mercado de seguros dependerá, de maneira importante, do cenário econômico nacional e das ações regulatórias da Susep, de forma a dar cumprimento célere ao seu planejamento para 2026. Inclusive o destravamento do chamado seguro de vida universal e a flexibilização da oferta de produtos mais aderentes à atual capacidade de pagamento de amplos extratos da população.

É com base nas particularidades de cada segmento do mercado que pretendemos, aqui, doravante, aumentar a granularidade de cada componente de forma a que se possa contribuir mais para mais análises e projeções de desempenho dos seguros. A Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg, recentemente ajustou as suas previsões para este exercício de 2025 e para o de 2026 na mesma linha já antes enunciada por estes nossos Boletins. E, como enfatizado, estamos também nos alinhando para segregar nos nossos Boletins parte exclusiva para demonstrar o mercado segurador “estrito senso”, vale dizer, sem os efeitos da tributação que derrubou diretamente as taxas de evolução do VGBL e, por efeito secundário, dos planos de previdência privada aberta.

Baixe o Relatório completo

*Marcio Serôa de Araújo Coriolano é economista, ex-Presidente da  CNseg e colaborador eventual da Capitolio Consulting

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