Com aumento do fluxo nas rodovias e da circulação de produtos como chocolate, especialista alerta para riscos operacionais e a importância de apólices adequadas no período.
A Páscoa, um dos períodos mais estratégicos para a economia brasileira, também impõe forte pressão sobre a logística e amplia os riscos no transporte de mercadorias. Durante o feriado de 2025, cerca de 5 milhões de veículos circularam pelas rodovias do estado de São Paulo, segundo a Artesp, um indicativo direto do aumento na exposição a acidentes, atrasos e roubos em momentos de alta demanda.
Para 2026, a expectativa é de novo crescimento no consumo, especialmente de produtos sazonais como chocolates, o que intensifica a circulação de cargas e eleva a complexidade das operações. A projeção do setor supermercadista é de alta de até 10% no volume de vendas, impulsionada principalmente por itens típicos da data, como chocolates, pescados e produtos tradicionais do almoço comemorativo, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados.
“Não se trata apenas de vender mais, mas de garantir que toda a operação esteja protegida. Com mais cargas nas estradas, cresce também a exposição a falhas logísticas e ocorrências no transporte”, afirma João Paulo, especialista em gestão de risco e sócio-diretor da Mundo Seguro,Corretora de Seguros de Carga.
Além do aumento no volume, a natureza da carga exige atenção redobrada: produtos como o chocolate demandam controle rigoroso de temperatura e umidade ao longo de toda a cadeia logística, e pequenas falhas podem comprometer sua qualidade e gerar prejuízos relevantes. Nesse cenário, a adequação das apólices de seguro torna-se essencial, já que o crescimento das entregas, as mudanças de rotas e o maior tempo de exposição ampliam a vulnerabilidade das operações. “O chocolate é altamente sensível. Perdas por derretimento, alteração de qualidade ou falhas no armazenamento podem não estar cobertas se a apólice não for específica”, alerta o especialista.
O risco se intensifica com o maior fluxo nas rodovias, ampliando não apenas a probabilidade de acidentes e atrasos, mas também a exposição ao roubo de cargas, um problema recorrente no país que tende a se agravar em datas de grande movimentação.
Outro ponto de atenção está na desatualização das apólices. Muitas empresas operam com coberturas estruturadas para um cenário padrão, sem considerar as variações sazonais que impactam diretamente o volume, o valor e a dinâmica do transporte.
“Durante picos como a Páscoa, há aumento no valor das mercadorias e na frequência das operações. Sem revisão, a apólice pode se tornar insuficiente ou trazer exclusões que só aparecem no momento do sinistro”, explica.
Mudanças comuns nesse período, como contratação de transportadoras terceirizadas, armazenagem temporária e ampliação de rotas, também podem não estar previstas nas condições originais do seguro, ampliando a exposição das empresas.
Entre os pontos que merecem revisão estão cláusulas para produtos sensíveis, cobertura para armazenagem temporária e condições para transporte terceirizado. “Em um cenário de maior pressão logística, empresas que alinham planejamento operacional e proteção securitária conseguem não apenas reduzir perdas financeiras, mas também garantir a continuidade das operações e preservar a confiança do consumidor”, conclui João Paulo.

