Insurtech Bys atinge R$ 100 milhões em prêmios e quer triplicar receita até 2026

Empresa alcança breakeven em menos de um ano e já negocia projetos com mais de 40 parceiros corporativos

A Bys, insurtech especializada em transformar jornadas de empresas em canais de distribuição de seguros, ultrapassou a marca de R$ 100 milhões em prêmio emitido anualizado ainda em seu primeiro ano de operação. A companhia atua em um modelo totalmente baseado em performance e já possui um pipeline com mais de 40 empresas em fase de implementação ou negociação.

O desempenho posiciona a Bys entre as insurtechs de crescimento mais acelerado do mercado brasileiro. O setor de seguros de consumo movimentou aproximadamente US$ 51 bilhões em prêmios no Brasil em 2025, enquanto a penetração do seguro no país corresponde a cerca de 3,4% do PIB, percentual significativamente inferior à média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Para Leonardo Rodrigues, CEO e cofundador da Bys, o desafio do mercado não está na oferta de produtos, mas na forma como eles chegam ao consumidor.

“O setor de seguros está dez anos atrás do que entendemos hoje por banking em termos de distribuição de produtos, com ofertas totalmente digitais, fluidas e de baixo custo. Por outro lado, milhares de empresas já possuem o ativo mais valioso para distribuir proteção: a confiança dos clientes e a interação recorrente. O que falta é foco e conhecimento para explorar esse potencial. É exatamente aí que a Bys entra”, afirma.

A proposta da insurtech é assumir toda a cadeia de distribuição de seguros para seus parceiros, incluindo desenvolvimento de produtos, negociação com seguradoras, integração tecnológica, gestão operacional e otimização contínua das vendas.

A empresa trabalha atualmente com mais de dez seguradoras e mantém um posicionamento agnóstico, buscando sempre a solução mais adequada para cada programa. O modelo de remuneração é baseado exclusivamente em resultados, permitindo que os parceiros gerem novas receitas sem custos fixos, investimentos iniciais ou riscos operacionais.

Segundo a companhia, a integração tecnológica pode ser concluída em poucos dias e o início da comercialização ocorre em questão de semanas.

A Bys foi fundada por Leonardo Rodrigues e Bruno Villela, colegas de Engenharia na Unicamp. Rodrigues construiu a vertical de seguros da Neon, transformando-a em uma das áreas mais rentáveis da fintech em aproximadamente dois anos. Com mais de 15 anos de experiência, também acumula passagens por Itaú e BV.

Já Bruno Villela, atual Chief Business Development Officer (CBDO), atuou na Gávea Investimentos e foi CFO e CSO da Paschoalotto, participando diretamente de um período de forte expansão da empresa, incluindo operações de fusões e aquisições, captação de recursos e planejamento estratégico.

Para Villela, os programas de seguros oferecem potencial significativo de geração de receita em diferentes segmentos econômicos.

“Em fintechs e empresas de crédito, o seguro prestamista pode adicionar de 6% a 12% de margem na rentabilidade da carteira de crédito. No varejo e e-commerce, produtos como garantia estendida podem alcançar taxas de conversão de até 30% e 10%, respectivamente. Já em utilities, assistências residenciais e de saúde podem elevar o lucro líquido em até 8%”, destaca.

A companhia alcançou o breakeven em menos de um ano de operação, registrando lucro e geração positiva de caixa. A expectativa é triplicar a receita recorrente anual até o final de 2026, impulsionada pela entrada em operação dos novos contratos atualmente em negociação.

O modelo de receita da Bys é baseado em comissões sobre os prêmios emitidos, que variam entre 5% e 20%, dependendo do produto, da seguradora parceira e das características de cada programa.

A empresa também investe no desenvolvimento de agentes de inteligência artificial voltados para a venda ativa de microsseguros e na construção de uma base proprietária de dados de performance.

“Cada programa gera informações sobre conversão, precificação e sinistralidade. A Bys é o único player que tem acesso a toda essa inteligência acumulada. Isso nos permite otimizar continuamente a performance dos programas de forma diferenciada”, explica Rodrigues.

Segundo o executivo, a estratégia da companhia é desenvolver programas apenas quando existe um contexto natural para a oferta do seguro, respeitando a jornada do consumidor.

“A oferta de seguros para o consumidor final ainda costuma ser cara, complexa e repleta de fricções. A Bys existe para mudar isso. Nosso objetivo é construir programas simples, acessíveis e relevantes para os clientes finais de nossos parceiros, gerando engajamento e percepção real de valor”, conclui.

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