Mapeamento local e detalhado do risco de granizo no Brasil já está disponível
A FM, seguradora especializada em propriedades comerciais, anunciou o lançamento do FM Worldwide Hail Hazard Map, novo recurso global desenvolvido para ajudar organizações a compreender, quantificar e reduzir a exposição aos danos causados por granizo.
Com a divulgação dos novos mapas mundiais de granizo, a FM passa a oferecer uma avaliação mais abrangente desse risco em escala global, incluindo regiões que já registravam perdas relacionadas ao fenômeno, mas que ainda não contavam com mapas dedicados para análise. A iniciativa adiciona uma nova camada de inteligência à avaliação de riscos de catástrofes naturais e reforça a importância de decisões preventivas baseadas em dados, engenharia e ciência aplicada.
O granizo, fenômeno climático frequentemente subestimado no Brasil em comparação com inundações e vendavais, representa uma ameaça crescente e economicamente relevante para o patrimônio corporativo. Segundo a FM, eventos de granizo causaram mais de US$ 1,98 bilhão em danos materiais aos clientes da companhia em todo o mundo nos últimos dez anos, com mais de 2 mil perdas reportadas.
O fenômeno tem se consolidado como um dos fatores de crescimento mais acelerado nas perdas patrimoniais da última década, impulsionado pelas mudanças nas condições climáticas e pelo aumento da frequência e severidade das tempestades convectivas. Para empresas globais, os impactos estão frequentemente associados a danos em telhados, fachadas, áreas de armazenamento externo, equipamentos instalados em coberturas, sistemas de climatização e painéis solares fotovoltaicos.
A tendência global identificada pela FM, com base em dados históricos desde 1955, aponta para o aumento da ocorrência de tempestades com granizo de maior porte e, consequentemente, para uma redução dos episódios de granizo de menor intensidade. Isso significa que, quando ocorre um evento, ele tende a apresentar potencial destrutivo significativamente maior. De acordo com a companhia, locais classificados com alto risco climático podem ser até 30 vezes mais propensos a perdas e sofrer danos até 180 vezes mais severos.
Os novos mapas também indicam que a exposição ao granizo no Brasil está concentrada principalmente na Região Sul, especialmente em áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Os dados reforçam a necessidade de que empresas localizadas nessas regiões avaliem a resiliência de suas instalações, sobretudo edificações com coberturas antigas ou deterioradas e operações que mantenham grandes volumes de armazenamento externo.
“Quando se observa o mapa, fica claro que o granizo merece muito mais atenção por parte das empresas brasileiras”, afirma Daniel Mazzi, responsável pela operação da FM no Brasil e pela FM Seguros. “No Brasil, com suas dimensões continentais e grande diversidade climática, é fundamental que as empresas comecem a reavaliar a vulnerabilidade de seus ativos a esse risco. Em algumas áreas do país, a questão não é se, mas quando suas instalações poderão ser impactadas por granizo severo.”
Para o mercado brasileiro, a companhia considera que a tendência global funciona como um alerta para ampliar a conscientização e os investimentos em prevenção. A FM destaca que a nova versão local e detalhada do mapa de risco de granizo já está disponível e utiliza metodologia baseada em dados históricos, modelagem física, inteligência artificial e décadas de experiência em engenharia de prevenção de perdas.
O FM Worldwide Hail Hazard Map foi desenvolvido a partir de mais de 500 mil registros de ocorrência de granizo coletados entre 1955 e 2024, incluindo relatórios de tempestades e dados de estações meteorológicas. Essas informações foram integradas a bases globais de reanálise atmosférica, dados de satélite e parâmetros de tempestades severas desenvolvidos por pesquisas meteorológicas ao longo de décadas.
No centro da solução está um algoritmo de machine learning que estabelece relações estatísticas entre a frequência e intensidade do granizo observado no solo e os ambientes atmosféricos que favorecem sua formação. A tecnologia permite mapear o risco em escala regional e global, inclusive em localidades com histórico limitado de observações meteorológicas.
Diferentemente de outros modelos existentes, que normalmente avaliam apenas a frequência de ocorrência do granizo, o mapa da FM considera também o tamanho das pedras e a energia cinética de impacto. Esse fator é considerado essencial para a análise dos danos estruturais, permitindo que os engenheiros da companhia recomendem materiais, sistemas construtivos e medidas preventivas mais adequadas às condições locais.
“Nosso objetivo é equipar as empresas com o conhecimento e as ferramentas necessárias para construir e manter ativos resilientes”, conclui Daniel Mazzi. “A antecipação e o investimento em resiliência ao granizo podem ajudar a evitar perdas significativas e garantir a continuidade dos negócios no futuro.”
