Levantamento da 180 Seguros mostra que jovens, moradores do Sudeste e trabalhadores de baixa renda são os principais clientes do seguro prestamista.
De acordo com levantamento recente da Serasa, o Brasil tem hoje mais endividados do que a população de muitos países da América Latina, como Argentina, Colômbia e Chile. Nesse contexto, entender quem contrata proteção financeira e por quê passou a ser uma leitura relevante sobre o comportamento do consumidor brasileiro.
A 180 Seguros, seguradora especializada no modelo B2B2C, mapeou o perfil de uma amostragem de 300 mil segurados de sua base para traçar um retrato de quem recorre ao seguro prestamista no país. Os dados cruzam informações históricas da própria carteira com registros do Ministério do Trabalho e Emprego, cobrindo mais de dois milhões de vínculos empregatícios desde 2010. O resultado revela um produto com perfil bem definido, e com papel social mais amplo do que costuma ser percebido.
Quem é esse segurado
A maior concentração está no Sudeste, que responde por 55% das contratações. Sul (18%), Nordeste (12%), Centro-Oeste (10%) e Norte (5%) completam o mapa.
O perfil é majoritariamente masculino (59%), mas com participação feminina relevante (41%). Em relação à faixa etária, 73% dos segurados têm até 34 anos, sendo que 35% têm menos de 25. A faixa entre 35 e 44 anos representa 19% da base, e os segurados acima dos 45 somam menos de 10%.
A distribuição de renda também é um dado que chama atenção. Mais da metade dos clientes (52%) ganha até um salário mínimo, e 40% recebem entre um e dois salários. Ou seja, nove em cada dez segurados vivem com até dois salários mínimos por mês. A escolaridade acompanha: 67% concluíram o ensino médio, e menos de 10% têm curso superior.
Quando se olha para os setores de atuação, o retrato se completa. Comércio e reparação de veículos concentra 25% da base, seguido por serviços administrativos (20%), indústria de transformação (15%), construção civil (9%) e alojamento e alimentação (8%) — segmentos marcados por vínculos mais vulneráveis e menor estabilidade de renda.
O que os dados dizem sobre proteção financeira
Para Mauro Levi D’Ancona, CEO da 180 Seguros, o levantamento mostra menos sobre um produto e mais sobre uma necessidade. “Quando mais de 90% dos segurados ganham até dois salários mínimos, fica claro que estamos falando de pessoas com pouca margem para absorver imprevistos. Uma perda de emprego, um imprevisto, qualquer um desses eventos pode comprometer o orçamento inteiro e fazer uma dívida virar um problema muito maior.”
Para o executivo, a concentração de jovens adultos na base também chama atenção para uma nova tendência do comportamento do consumidor: “Essa geração está entrando mais cedo no crédito (financiamentos ou empréstimos), e está, ao mesmo tempo, buscando formas de não perder o controle se algo der errado. O Prestamista é uma resposta prática a um ambiente de incerteza.”
O desafio, segundo Mauro, segue sendo o acesso.
“Parte relevante do público que mais precisa de proteção financeira ainda não sabe que ela existe ou como funciona. Tornar esse produto mais compreensível é tão importante quanto torná-lo mais acessível.”
É nesse ponto que a tecnologia entra como aliada. Para a seguradora 180, oferecer seguro para um público mais vulnerável à perda de renda exige contexto e transparência. No modelo B2B2C, a proteção é integrada à jornada dos parceiros para que o cliente conheça o produto no momento em que ele faz sentido, sem uma oferta deslocada da sua realidade.
“A nossa tecnologia permite apresentar a proteção certa, de forma clara e no contexto certo. O objetivo não é empurrar o seguro de qualquer forma, mas construir uma jornada conectada à necessidade de quem pode se beneficiar dele”, afirma Mauro.
