Rafael Carvalho, CEO
Regras para o Universal Life são atualizadas no País. Produto combina cobertura de vida com acumulação financeira e liquidez imediata para herdeiros.
A modernização das regras para o Seguro de Vida Universal, conhecido internacionalmente como Universal Life, abre caminho para a chegada ao Brasil de um modelo que combina proteção financeira, acumulação patrimonial e planejamento sucessório dentro de uma única estrutura.
A mudança ganhou força com a publicação da Resolução CNSP nº 484/2025, que atualiza a regulamentação do produto e adapta sua estrutura ao Marco Legal dos Contratos de Seguros (Lei nº 15.040/2024). Na prática, a medida cria bases regulatórias para que seguradoras desenvolvam produtos mais flexíveis e alinhados às demandas patrimoniais de longo prazo.
Amplamente utilizado em mercados como Estados Unidos e México, o Universal Life se diferencia dos seguros tradicionais por permitir que parte dos recursos pagos pelo segurado seja destinada à cobertura securitária, enquanto outra parcela é direcionada para uma conta de acumulação vinculada a referenciais financeiros ou índices de mercado.
Além da possibilidade de crescimento patrimonial, o produto se destaca pela flexibilidade. O segurado pode realizar aportes adicionais ao longo da vida, ajustar a estratégia patrimonial e manter cobertura de longo prazo, inclusive em fases nas quais contratar um novo seguro poderia ser mais caro ou mais difícil por questões de saúde.
O avanço regulatório não significa que o produto chegará imediatamente ao mercado. “O setor ainda atravessa uma fase de adaptação, que envolve definições operacionais, atuariais, tributárias e comerciais. A expectativa é que os primeiros modelos inspirados no Universal Life comecem a surgir no Brasil a partir do próximo ano, inicialmente voltados a públicos específicos e em formatos mais simplificados”, diz Rafael Carvalho, CEO da Aegis Consultoria.
O Universal Life é frequentemente tratado como uma evolução dos modelos tradicionais de seguro de vida e dos produtos do tipo Whole Life. Enquanto o seguro tradicional tem foco prioritário na proteção financeira em caso de falecimento, invalidez ou doenças graves, o Whole Life incorporou o conceito de formação de reserva financeira dentro da apólice. “O Universal Life amplia essa lógica ao adicionar maior flexibilidade na gestão da apólice e mecanismos de acumulação potencialmente ligados ao desempenho de referenciais financeiros. Na prática, isso permite personalização maior do planejamento patrimonial, possibilitando adequar aportes, proteção e objetivos sucessórios ao longo do tempo”, complementa.
O modelo tende a ganhar espaço principalmente entre empresários, executivos, profissionais liberais, médicos e famílias com patrimônio consolidado, que buscam soluções voltadas à sucessão, liquidez para herdeiros e preservação patrimonial. Uma das aplicações mais relevantes está justamente na geração de liquidez imediata para processos sucessórios, especialmente em patrimônios concentrados em ativos menos líquidos, como imóveis ou participações societárias.
Apesar do potencial, o produto exige maior acompanhamento técnico e horizonte de longo prazo. Entre os principais desafios estão a complexidade operacional, a dependência dos referenciais financeiros utilizados e a necessidade de planejamento patrimonial estruturado.
“A expectativa é que o Universal Life não substitua os seguros tradicionais, mas ocupe um espaço complementar, ampliando as opções disponíveis para consumidores que buscam integrar proteção financeira, construção patrimonial e planejamento sucessório em uma mesma estratégia”, finaliza o especialista da Aegis Consultoria.
