IA eleva produtividade em até 40% nas seguradoras

 Luiz Fernando Nassif, diretor de negócios

De análise de crédito a regulação de sinistros, mercado segurador amplia uso estratégico de IA para reduzir custos operacionais, acelerar processos e aumentar eficiência

A inteligência artificial começa a transformar operações centrais do mercado segurador brasileiro. Processos como vistoria digital, análise de crédito, prevenção a fraudes, regulação de sinistros e atendimento já registram ganhos de produtividade de até 40%, à medida que as seguradoras aceleram o uso da tecnologia para aumentar eficiência operacional e reduzir gargalos históricos do setor.

Historicamente marcado por processos complexos, alto volume operacional e forte dependência de análises manuais, o setor de seguros passa a acelerar a adoção de inteligência artificial em frentes que vão desde subscrição e análise de crédito até vistoria digital, prevenção a fraudes, atendimento, regulação de sinistros e desenvolvimento de projetos internos de tecnologia.

Segundo estudo global da consultoria Accenture, cerca de 79% das seguradoras afirmam que a inteligência artificial generativa será decisiva para transformar a produtividade e o modelo operacional do setor nos próximos três anos. Ao mesmo tempo, levantamento da Deloitte aponta que seguradoras vêm priorizando investimentos em automação e IA justamente para responder à crescente pressão por eficiência operacional e redução de custos.

Na prática, os ganhos já começam a aparecer

De acordo com Luiz Fernando Nassif, diretor de negócios do Grupo Taking, empresa brasileira especializada em soluções digitais e inteligência artificial aplicada a negócios, o uso de IA em processos de vistoria digital gera aumento de produtividade, reduz tempo de análise, automatiza etapas operacionais e acelera a jornada de atendimento. Em operações de call center e atendimento ao cliente, os ganhos de eficiência podem chegar a 35%, especialmente em processos de triagem, atendimento inicial e automação de tarefas repetitivas.

O executivo afirma que o setor segurador começa a viver uma mudança estrutural na forma como utiliza tecnologia dentro das operações. “Durante muito tempo, a tecnologia no setor de seguros esteve muito concentrada em sistemas transacionais e processos de suporte. O que vemos agora é uma mudança importante. A inteligência artificial passa a atuar diretamente na produtividade operacional, apoiando decisões mais rápidas, automatizando tarefas complexas e permitindo que as equipes humanas atuem de forma muito mais estratégica”, afirma.

Além das áreas diretamente ligadas ao negócio segurador, a inteligência artificial também começa a transformar os próprios times internos de tecnologia das seguradoras.

O Grupo Taking iniciou recentemente a aplicação de sua plataforma proprietária, Tate AI, em projetos de desenvolvimento tecnológico dentro de duas grandes seguradoras brasileiras. A solução vem sendo utilizada para acelerar etapas de desenvolvimento, apoiar especificações técnicas, reduzir esforço operacional dos times e aumentar velocidade de entrega em projetos internos de tecnologia.

Embora os números finais ainda estejam em consolidação, a expectativa da companhia é observar ganhos relevantes de produtividade também na construção e manutenção de projetos de TI.

Para Nassif, um dos principais avanços está justamente na capacidade de integrar inteligência artificial ao trabalho humano, sem substituir conhecimento técnico ou tomada de decisão especializada. “O mercado passou muito tempo discutindo inteligência artificial como automação. O próximo estágio é diferente. O verdadeiro ganho acontece quando a IA consegue potencializar o trabalho das pessoas, reduzir atividades operacionais e liberar tempo para decisões que realmente geram valor para o negócio. Esse movimento começa a se tornar cada vez mais evidente dentro das seguradoras”, explica.

O avanço acontece em um momento especialmente relevante para o setor. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras mostram que o mercado segurador brasileiro segue em expansão, aumentando a pressão das companhias por escalabilidade, eficiência operacional e melhoria contínua da experiência dos clientes.

Segundo Nassif, as seguradoras que conseguirem incorporar inteligência artificial de forma prática e conectada às operações terão vantagem competitiva importante nos próximos anos. “A discussão sobre IA no setor de seguros deixou de ser experimental. Estamos entrando em uma fase em que a tecnologia começa a gerar impacto direto em produtividade, eficiência operacional e rentabilidade. Quem conseguir integrar esse movimento mais rapidamente tende a ganhar escala e competitividade de forma muito mais acelerada”, conclui.