Seguro empresarial deixa de ser custo e protege operação

Pesquisa revela que mais de 70% das empresas iniciam operações sem seguro, mas cenário muda com foco em gestão de riscos. Veja a análise de Gustavo Zanon.

Durante décadas, o seguro empresarial foi tratado como uma despesa voltada à proteção de imóveis, máquinas e equipamentos contra incêndios, furtos e danos materiais. Hoje, no entanto, a lógica é outra. Em um ambiente de negócios cada vez mais exposto a eventos climáticos extremos, interrupções operacionais e disputas judiciais, a gestão de riscos passou a ocupar espaço no planejamento estratégico das organizações.

Apesar dessa mudança de cenário, a cultura da prevenção ainda avança lentamente entre os empreendedores brasileiros. Pesquisa da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostra que apenas 26,7% dos empresários consideram contratar uma apólice ainda na fase de planejamento do negócio, enquanto mais de 70% iniciam suas operações sem qualquer cobertura. O levantamento aponta ainda que a baixa percepção dos riscos e as restrições financeiras continuam sendo os principais obstáculos à contratação.

Para Gustavo Zanon, CEO da Seguralta, essa postura faz com que muitos empresários descubram o valor da proteção apenas quando enfrentam situações capazes de comprometer a continuidade da operação.

“O seguro empresarial não deve ser encarado como um custo, mas como uma ferramenta de gestão. O empreendedor investe anos para construir seu negócio e, muitas vezes, um único imprevisto pode colocar tudo isso em risco. Quando a proteção faz parte do planejamento da empresa, ela garante condições para que a operação continue funcionando mesmo diante de situações inesperadas”.

As transformações recentes ampliaram significativamente o conceito de risco corporativo. Se antes as preocupações estavam concentradas em incêndios e roubos, hoje as empresas precisam lidar com paralisações provocadas por eventos climáticos, falhas elétricas, problemas operacionais, ações judiciais e diversos fatores capazes de gerar perdas financeiras relevantes.

Esse novo contexto impulsionou a evolução das coberturas disponíveis no mercado. Atualmente, uma única apólice pode reunir proteção para patrimônio, equipamentos, mercadorias, responsabilidade civil, lucros cessantes, danos elétricos, quebra de máquinas e outras necessidades específicas de cada operação.

Segundo Gustavo Zanon, a personalização das soluções tem aproximado o setor da realidade das empresas brasileiras. “Cada organização possui características, desafios e exposições diferentes. O papel do seguro é justamente acompanhar essa realidade, oferecendo soluções compatíveis com o porte, o segmento e as necessidades específicas de cada negócio”.

Os dados da CNseg revelam ainda uma diferença importante entre percepção e comportamento. Embora a adesão permaneça limitada, 88,2% dos empresários associam o seguro à valorização da empresa e de seus colaboradores, enquanto 83,6% afirmam que a proteção contribui para uma gestão mais tranquila e previsível.

Na avaliação do CEO da Seguralta, o desafio agora é transformar essa consciência em prática. “O empresário brasileiro já reconhece a importância da gestão de riscos. O próximo passo é incorporar essa cultura ao planejamento estratégico. Empresas que investem em prevenção respondem com mais rapidez às adversidades, preservam patrimônio, mantêm a confiança dos clientes e fortalecem sua sustentabilidade no longo prazo”.

À medida que os riscos corporativos se tornam mais complexos e menos previsíveis, especialistas avaliam que o seguro tende a ocupar uma posição cada vez mais estratégica dentro das organizações. Mais do que proteger ativos físicos, ele se consolida como um instrumento de continuidade operacional, estabilidade financeira e resiliência empresarial.