Adam Patterson, sócio da Redirection International
Projeção da Redirection International aponta avanço de 6,2% ao ano no setor de seguros, impulsionado pela digitalização, novo marco legal e busca de escala por corretoras e investidores.
O setor brasileiro de seguros deve crescer em média 6,2% ao ano no médio prazo, segundo estimativa da Redirection International, empresa especializada em assessoria de fusões e aquisições. A projeção considera o consenso de crescimento esperado do mercado que registrou, somente em 2025, 41 transações de M&A, de acordo com dados da KPMG, acima da média de 26 operações anuais entre 2020 e 2024. Na avaliação da Redirection International, esse ambiente deve manter o setor entre os mais relevantes para operações de M&A no Brasil, especialmente nos segmentos de corretoras, benefícios corporativos, insurtechs, saúde, agronegócio, riscos corporativos e canais digitais de distribuição.
Dados recentes da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que o setor ultrapassou R$ 760 bilhões em arrecadação em 2025 e segue com projeções positivas para 2026, enquanto estudos de mercado apontam continuidade do interesse de compradores estratégicos e financeiros por ativos com carteira recorrente, especialização e capacidade tecnológica. A projeção da Redirection International é sustentada ainda por fundamentos sólidos como a expansão da arrecadação, baixa penetração dos produtos de seguro na população, amadurecimento regulatório, demanda crescente por proteção contra riscos climáticos e cibernéticos e pela necessidade de escala em um mercado ainda altamente pulverizado.
“Embora grandes fusões entre seguradoras tenham se tornado mais seletivas diante de juros elevados e maior disciplina de capital, o mercado de corretoras continua aquecido. A fragmentação da distribuição cria um ambiente propício para consolidação com muitas corretoras com operações regionais, familiares ou especializadas em nichos, o que abre espaço para compradores interessados em ampliar presença geográfica, carteira de clientes, eficiência comercial e capacidade de cross selling”, avalia o economista Adam Patterson, sócio da Redirection International.
Ele reforça que os ativos mais disputados tendem a ser empresas com carteira recorrente, baixa concentração de clientes, governança estruturada, histórico de crescimento orgânico, além de plataformas comerciais apoiadas por dados, automação e distribuição digital. “Para os empresários, preparar antecipadamente a governança, a qualidade das informações financeiras e uma narrativa estratégica clara tornou-se um diferencial importante para maximizar valor em um eventual processo de M&A”, destaca Patterson.
A evolução regulatória também reforça o apetite por investimentos no setor. A entrada em vigor da Lei nº 15.040/2024, conhecida como novo marco legal dos contratos de seguro, por exemplo, trouxe regras mais claras para contratação, vigência, interpretação de apólices e tratamento de sinistros, aumentando previsibilidade jurídica para seguradoras, corretores, investidores e consumidores. Em paralelo, iniciativas como Open Insurance, uso de APIs, inteligência artificial e canais omnichannel aceleram a transformação da cadeia de valor do setor.
Esse ambiente favorece tanto a entrada de novos players quanto a expansão de grupos já estabelecidos. Entre as transações envolvendo empresas do setor registradas recentemente no Brasil estão a aquisição de corretoras regionais pela Alper Seguros e pela Acrisure, contribuindo para a estratégia de consolidação nacional e expansão geográfica das companhias, por exemplo. A ampliação do portfólio de serviços também motivou outras movimentações como as registradas em 2025 pela Alper Seguros e MDS Brasil.
“Enxergamos um movimento estrutural de consolidação no mercado brasileiro que deve permanecer ativo pelos próximos anos. O setor reúne características altamente atrativas para investidores estratégicos e financeiros. Observamos especial interesse por corretoras especializadas, benefícios corporativos, agronegócio, saúde, linhas corporativas e plataformas com forte capacidade tecnológica e distribuição digital”, explica Adam Patterson. “Apesar do avanço, o Brasil ainda apresenta um relevante gap de proteção, criando espaço estrutural para crescimento. Atualmente, apenas cerca de 29% da frota brasileira possui seguro automóvel, enquanto somente 17% das residências contam com seguro residencial”, complementa.
