Mercado de seguros arrecada R$ 207 bilhões no 1º semestre

Setor registra alta de 0,5% no semestre impulsionado por seguros de danos e pessoas, segundo dados divulgados pela Susep.*

Por Marcio Serôa de Araujo Coriolano*

Em 10 de agosto, a Susep publicou a base de dados atualizada da arrecadação até junho de 2026. O período semestral é importante porque coincide com a publicação de balanços pelas companhias abertas e os de outros setores da economia, permitindo diversas comparações de desempenho relativo.

As últimas informações da Susep sobre o número de empresas participantes do setor são: 153 seguradoras, 12 entidades abertas de previdência complementar, 17 empresas de capitalização, 15 resseguradoras locais (sediadas no território nacional), 25 resseguradoras admitidas (com sede no exterior e com escritório no Brasil) e 92 resseguradoras eventuais (com sede no exterior e sem escritório no Brasil).

Sobre os resultados divulgados para o conjunto do setor segurador, a arrecadação do mês de junho voltou a subir relativamente ao mês precedente, com taxa de 2,8%, após dois meses consecutivos de perda de receitas. Foi um ganho de R$ 920,9 milhões, apenas suficiente para posicionar o mercado em patamar próximo ao do mês de abril.

Examinando-se os dados semestrais, as receitas foram de R$ 207,1 bilhões, 0,5% superiores às de igual período de 2025, quando no semestre daquele ano haviam sido negativas, de menos 1,7% contra o mesmo período de 2024.

A maior contribuição para a melhora semestral, ponderados os volumes de prêmios e contribuições, foi dos seguros de Danos, que cresceram 6,5%, seguidos dos seguros de Pessoas, que cresceram 10,3% e do PGBL e Previdência Tradicional, com taxa de crescimento de 11,3%.

Nos seguros de Danos e nos de Pessoas, observa-se o mesmo comportamento aqui apontado nos Boletins anteriores: um crescimento dos ramos mais dinâmicos, vale dizer Automóveis, Compreensivo, Financeiro, Habitacional, Patrimonial, Vida e Prestamista; e contribuição negativa de ramos que, no conjunto, têm importante participação relativa, a saber Rural, Riscos Especiais, Transportes, Responsabilidade Civil e Acidentes Pessoais.

Ainda na base semestral, as maiores contribuições negativas foram do VGBL (-7,1%) e da Capitalização (-7,8%), que continuam a seguir a sua trajetória de perda de captação.

Outra métrica permite identificar que o efeito da reversão global positiva comparada a maio decorreu do aumento da variação contra o mesmo mês de junho de 2025, de 13,4% (havia sido de menos 5,3% em maio).

Baixe o relatório na íntegra

Marcio Serôa de Araujo Coriolano -é economista e ex-presidente da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg).