Roubo de veículos pesados cai no SP, mas sobe 8,1% na capital

Boletim Tracker Fecap indica recuo geral de 22,9% nos roubos e furtos de veículos pesados em SP, mas alerta para alta dos furtos em maio e avanço na capital.

Os roubos e furtos de veículos pesados apresentaram comportamentos distintos no Estado de São Paulo, nos primeiros cinco meses de 2026. Enquanto o número total de ocorrências caiu 22,9%, na comparação com o mesmo período de 2025, os roubos recuaram 34,7% e os furtos permaneceram praticamente estáveis, com queda de apenas 1,5%. O movimento mais recente também acende um ponto de atenção: os furtos cresceram 8,1% em abril e 39,2% em maio.

É o que mostra o novo Boletim Tracker Fecap, que analisou, de forma inédita em 10 anos de projeto, as ocorrências dessas modalidades entre 2024 e maio de 2026. Em 2024, foram registrados 2.106 eventos, sendo 1.327 roubos e 779 furtos. Em 2025, o total passou para 2.141 casos, alta de 1,7%. Os roubos cresceram 2,3%, de 1.327 para 1.357 ocorrências, enquanto os furtos tiveram variação de apenas 0,6%, passando de 779 para 784 registros.

A situação mudou no acumulado de janeiro a maio de 2026. Foram 733 ocorrências, contra 951 no mesmo período de 2025, uma redução de 22,9%. Desse total, 401 foram roubos, ante 614 em 2025, enquanto os furtos somaram 332 ocorrências, contra 337 no ano anterior. “O recuo está concentrado nos roubos, enquanto os furtos permanecem praticamente no mesmo patamar e voltaram a crescer nos dois últimos meses analisados. É importante observar essa mudança porque ela pode representar uma adaptação da atividade criminosa e exige acompanhamento contínuo”, afirma o pesquisador da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e responsável pelo estudo, Erivaldo Vieira.

Comparativo entre janeiro e maio de 2025 e de 2026

Para o gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, Vitor Corrêa, a mudança na composição das ocorrências reforça a necessidade de combinar diferentes estratégias de proteção. “Quando o roubo perde participação de forma tão acentuada, mas o furto permanece praticamente estável e volta a crescer nos meses mais recentes, a leitura precisa ser feita com cuidado. Os criminosos também adaptam sua atuação às condições de risco. Para as empresas, isso significa que não basta concentrar a prevenção apenas nos momentos de abordagem: é necessário proteger o veículo durante toda a operação, considerando rotas, paradas, locais de estacionamento”, afirma.

Padrão semanal permanece concentrado nos dias úteis

Apesar da queda no volume total, o padrão de distribuição das ocorrências ao longo da semana permaneceu praticamente inalterado. Entre janeiro e maio de 2026, 73,3% dos roubos e furtos de veículos pesados ocorreram de terça a sexta-feira.

Quarta-feira liderou o ranking, com 146 ocorrências, seguida por quinta-feira, com 142, terça-feira, com 130, e sexta-feira, com 119. Juntos, os quatro dias concentraram 537 registros. “O comportamento acompanha a dinâmica do transporte rodoviário de cargas, com maior circulação de veículos pesados durante os dias úteis. Aos sábados e domingos foram registradas 102 ocorrências, equivalentes a 13,9% do total”, complementa Erivaldo Vieira.

A análise por período do dia também aponta estabilidade na estrutura do risco. Considerando apenas os registros com horário válido, noite e madrugada responderam juntas por 60,2% das ocorrências em 2026, ante 58,3% no mesmo período de 2025. A noite continuou sendo o período de maior incidência, com 172 registros, enquanto a madrugada somou 159.

Capital paulista segue na contramão da queda estadual, com alta de 8,1%

A cidade de São Paulo registrou 213 ocorrências entre janeiro e maio de 2026, contra 197 no mesmo período de 2025, alta de 8,1%. O resultado mantém a capital como principal ponto de concentração dos roubos e furtos de veículos pesados no Estado. Guarulhos, segunda cidade com maior número de registros, apresentou comportamento oposto: caiu de 80 ocorrências para 46, retração de 42,5%.

Também registraram quedas expressivas São Bernardo do Campo (-47,8%), Itapecerica da Serra (-40,9%), Limeira (-34,8%) e Campinas (-33,3%). Ao mesmo tempo, Osasco, Barueri e Santo André passaram a integrar o grupo dos dez municípios com maior número de ocorrências em 2026, substituindo Cubatão, Embu das Artes e Sumaré.

Ranking das 10 cidades com maior número de ocorrências de roubo e furto de veículos pesados – Estado de São Paulo (janeiro a maio de 2025 e janeiro a maio de 2026)

A redistribuição espacial das ocorrências, com crescimento pontual em determinados centros urbanos e a entrada de novos municípios entre aqueles com maior concentração de registros, reforça a importância de que o planejamento operacional das forças de segurança seja continuamente atualizado, acompanhando o deslocamento geográfico das organizações criminosas ao longo da malha rodoviária do Estado de São Paulo. “Para quem trabalha com gerenciamento de risco, conhecer os corredores, os municípios e os pontos de concentração é fundamental para definir estratégias de monitoramento mais eficientes”, explica Vitor Corrêa.

Jaçanã assume liderança entre os bairros da capital

Dentro da cidade de São Paulo, o eixo norte permanece como uma das principais áreas de concentração das ocorrências. O Jaçanã registrou 18 casos entre janeiro e maio de 2026, contra oito no mesmo período de 2025, aumento de 125%. Parque Edu Chaves também apresentou crescimento, de oito para dez ocorrências, alta de 25%. Vila Maria passou de cinco para sete registros, enquanto Vila Jaguara subiu de três para cinco. Em sentido contrário, Parque do Carmo e Vila Carmosina registraram queda de 50%, enquanto Vila Leopoldina recuou 37,5%.

Ranking dos 10 bairros da Capital Paulista com maior número de ocorrências de roubo e furto de veículos pesados – janeiro a maio de 2025 e janeiro a maio de 2026