Caio Carvalho, vice-presidente de Riscos Corporativos e Resseguros
Com o programa Risk Experience, a MDS Brasil busca capacitar a nova geração de risk managers com foco estratégico, teoria e imersão em Londres
Por Carlos Oliveira
A figura do risk manager deixou de ser apenas a de “comprador de apólices” para assumir um papel central na estratégia das grandes corporações. É o que afirma Caio Carvalho, vice-presidente de Riscos Corporativos e Resseguros da MDS Brasil, em entrevista à Revista Seguro Total sobre o lançamento do Risk Experience, novo programa de formação de profissionais de gestão de riscos corporativos.
Segundo Carvalho, a alta direção das empresas já enxerga o risk manager sob uma ótica muito mais estratégica do que há alguns anos. “O seguro é uma ferramenta de gestão de risco corporativa, e as empresas passaram a enxergar isso dentro do cenário corporativo”, explica o executivo. Na prática, o trabalho desse profissional está diretamente ligado às três grandes decisões que uma companhia pode tomar diante de um risco: assumi-lo, mitigá-lo ou transferi-lo por meio de apólices de seguro. Para transitar com segurança entre essas opções, argumenta Carvalho, é indispensável contar com profissionais tecnicamente bem preparados.
Esse cenário revela um diagnóstico que motivou a criação do programa: a maior parte dos risk managers brasileiros aprendeu a profissão na prática, dentro das próprias empresas, sem uma trajetória de formação técnica estruturada. Muitos vieram de áreas como tesouraria, jurídico ou riscos corporativos, e não propriamente do mercado de seguros. “Existe um gap enorme de formação formal desse profissional. Ele foi criado na prática”, resume Carvalho, que soma nove anos de atuação na MDS acompanhando de perto o dia a dia de risk managers em grandes corporações. Foi observando o tamanho dos riscos sob responsabilidade de profissionais que poderiam se desenvolver tecnicamente que a empresa decidiu estruturar uma iniciativa voltada a suprir essa lacuna.
Teoria e prática
O Risk Experience nasce justamente para aproximar analistas de seguros — a nova geração de possíveis risk managers — do conhecimento técnico e da vivência prática do mercado. O programa reúne esses profissionais em formação com nomes já consolidados do setor, tanto do mercado segurador quanto risk managers de empresas renomadas do país, permitindo aliar teoria e prática por meio de contato direto com quem já vive o dia a dia da gestão de riscos.
Uma das inovações do programa é o sistema de “padrinhos”: profissionais experientes que acompanham individualmente a jornada de desenvolvimento de cada analista participante. A proposta atende especialmente empresas que ainda não têm uma área de seguros estruturada — ou que a têm, mas com profissionais respondendo para outras áreas, como financeiro, jurídico ou riscos corporativos. “A ideia desse padrinho é que ele faça o acompanhamento, seja quase que um sponsor de desenvolvimento desse analista”, explica Carvalho.
O ponto alto da trajetória é um roadshow apresentado por cada participante para uma banca avaliadora — nos mesmos moldes dos roadshows que a MDS realiza para seus clientes. Os três melhores colocados, acompanhados de seus respectivos padrinhos, ganham uma imersão no mercado segurador de Londres, com visita ao Lloyd’s, considerado um dos endereços mais emblemáticos do seguro em nível global.
Parcerias
O programa também aposta na aproximação entre grandes seguradoras parceiras e clientes (ou futuros clientes) da MDS dentro de um mesmo espaço de formação. Para Carvalho, essa convivência gera troca de conhecimento em via dupla: as seguradoras passam a entender melhor a realidade cotidiana das empresas, enquanto os futuros risk managers ganham a perspectiva do mercado segurador sobre o cenário de riscos.
Entre os temas previstos está o risco cibernético, apontado por Carvalho como um dos módulos do programa. “É algo que ficou super em alta nos últimos anos. A gente tem visto um volume não só de sinistros, mas de interesse no negócio, com produtos novos e novos gatilhos sendo construídos ao longo do tempo”, afirma.
Para ele, esse movimento reforça uma tendência mais ampla: o papel do seguro — e do risk manager — segue cada vez mais estratégico na gestão corporativa de riscos.
