Boletim da Susep traz desempenho e tendências do setor de seguros

Por Marcio Coriolano*

 

Em 21 de setembro, a Susep publicou a base de dados atualizada da arrecadação dos seguros, previdência privada aberta e capitalização até o mês de julho de 2026.

As últimas informações da Susep sobre o número de empresas participantes do setor são: 153 seguradoras, 12 entidades abertas de previdência complementar, 17 empresas de capitalização, 15 resseguradoras locais (sediadas no território nacional), 25 resseguradoras admitidas (com sede no exterior e com escritório no Brasil) e 92 resseguradoras eventuais (com sede no exterior e sem escritório no Brasil).

Total do Mercado: Danos + Pessoas + Capitalização + VGBL + PGBL e Previdência Tradicional

Sobre os resultados divulgados para o conjunto do setor segurador, a arrecadação do mês de julho, de R$ 37,8 bilhões, voltou a subir relativamente ao mês precedente, com taxa de 10,8% (3% em junho). Foi um ganho de R$ 3,5 bilhões, resultando em recorde de receitas desde dezembro de 2025.

Todavia, pelos efeitos estatísticos de comportamento da série histórica coligida, houve desaceleração da variação contra o mesmo mês de julho de 2025 – agora com menos 8,7% – também desaceleração contra o mesmo período acumulado de sete meses de 2025 (menos 1%), tendo como efeito mais uma queda anualizada; ou seja, no critério de 12 meses móveis, de menos 4,8%, cuja apuração em junho havia sido de menos 3,7%.

A evolução dos dados publicados pela Susep pela ótica mensal mostra que todos os segmentos tiveram crescimento, à exceção de Vida. A maior contribuição proporcional para o incremento já citado de 10,1% foi do VGBL (28%), seguido dos Ramos Elementares (4,3%), da Capitalização (10,6%) e do PGBL + Previdência Tradicional (4%). O segmento de Vida observou decréscimo mensal de 3,4%, ou uma perda correspondente a R$ 246,8 milhões.

Nos seguros de Danos e nos de Pessoas, observa-se o mesmo comportamento aqui apontado nos Boletins anteriores: um crescimento dos ramos mais dinâmicos, vale dizer Automóveis, Compreensivo, Financeiro, Habitacional, Patrimonial, Vida e Prestamista; e contribuição negativa de ramos que, no conjunto, têm importante participação relativa, a saber Rural, Riscos Especiais, Transportes, Responsabilidade Civil e Acidentes Pessoais.

Já pela ótica da análise comparativa com o mesmo mês de julho de 2025, fica evidente que a contribuição para a queda de 8,7% foi, mais uma vez, do VGBL, com menos 24,4% e da Capitalização, que decresceu 4,5%. Todos os demais segmentos aqui avaliados registraram avanço.

Assim como em toda a série histórica recente, quando o cenário de julho de 2026 é avaliado na métrica anualizada (12 meses móveis), mais assertiva para o exame de tendências, o desempenho dos segmentos que compõem o mercado de seguros em sua integralidade foi desigual. Quando os dados anualizados até julho de 2026 são cotejados com os até julho de 2025, o resultado geral foi de aprofundamento do decréscimo da arrecadação, de 3,7% para 4,8%. A composição dessa taxa anualizada foi a seguinte:

Taxas de Evolução (%) Anualizadas até Julho de cada ano

A medida global de 12 meses móveis é apresentada nos gráficos do trabalho, que registram as taxas desde janeiro de 2021. Ela mostra alavancagem até janeiro de 2023, seguida de taxas positivas de dois dígitos, porém menores, até janeiro de 2024. A partir de então houve retomada de ímpeto de crescimento até estabilizar-se em dois dígitos mais baixos da ordem de 12%. Já os quinze últimos períodos anualizados caíram para um dígito de crescimento, cada vez menores. Desde setembro de 2025 o mercado como um todo experimenta taxa de variação negativa da arrecadação.

Total do Mercado “Estrito Senso”: Danos + Pessoas + Capitalização

Seguindo opção analítica adotada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela Susep, também apresentamos o desempenho segregado do chamado mercado segurador “estrito senso”; vale dizer, sem o efeito do VGBL e do plano de previdência privada aberta PGBL, de forma, principalmente, a retirar os efeitos da oneração do IOF sobre esses segmentos de acumulação de rendas.

Já tendo sido avaliados anteriormente o desempenho de cada segmento de seguros e de acumulação nas métricas adotadas, aqui serão apenas particularizadas as mesmas métricas para o total do mercado estrito.

No critério da evolução em 12 meses móveis, a melhor medida de tendência estatística, houve então mais uma pequena redução da taxa, desta vez de 5,4% em julho ante 5,6% em junho. Essa leve redução ocorreu notadamente pelo efeito negativo do VGBL. O resultado ainda significativo da resiliência dos seguros, principalmente o de Ramos Elementares e o de Pessoas, já foi demonstrado anteriormente.

Além da resiliência demonstrada pelos seguros de Pessoas e de Danos, e do PGBL, o setor também vem apresentando bons resultados do equilíbrio entre receitas e devoluções aos segurados e participantes.

Com uma arrecadação total até julho de R$ 245,0 bilhões, a sinistralidade direta de todo o mercado foi de 61,1% (60,9% em junho). Para esse total a contribuição ponderada dos seguros foi de 34,2% (33,9% em junho), a dos produtos de acumulação de 94,8% (94,7% em junho) e a da Capitalização de 89,7% (89,5% em junho).

Então, até julho de 2026 enquanto a arrecadação total teve decréscimo de 1% indenizações, resgates e benefícios reduziram-se em 2,8%.

A solvência geral setorial é ponto forte a ser enfatizado. As provisões técnicas constituídas em garantia dos riscos e compromissos assumidos somaram, em julho, a cifra de R$ 2.195,9, ou 10% superior em relação ao mês anterior.

Conclusão Geral do Desempenho do Mercado de Seguros, Previdência Privada e Capitalização

Como sempre aqui examinado em cada segmento que compõe o mercado de seguros e de produtos de acumulação, depreende-se que ele é afetado pelo comportamento daqueles que mais contribuem relativamente para o agregado das receitas.

Exemplo máximo é o VGBL, que tinha participação relativa de perto de 43% do total em julho de 2024 e de 24% em julho de 2025, para agora em figurar em posição aproximada de 34%.

Então, sabe-se que qualquer iniciativa regulatória dos poderes públicos ou movimentos conjunturais da demanda, que aumentem ou diminuam a penetração de cada um dos segmentos, têm decisiva influência no comportamento e nas expectativas do setor de seguros como um todo.

Sinteticamente, a conclusão geral sobre o desempenho do mercado integral de seguros, previdência privada e capitalização brasileiro é que, até julho, a variação anualizada da arrecadação, que reputamos ser a melhor medida estatística tendencial, permanece no campo negativo, com menos 4,8%.

A redução das taxas em 12 meses móveis foi consistente ao longo de 2025 e continua em 2026, tendo chegado a níveis negativos desde setembro do ano passado. Apenas para comparação, na base do fechamento de 2024 a variação havia sido positiva da ordem de 12,3%.

Já quando seguimos a opção analítica de exame do desempenho segregado do chamado mercado segurador “estrito senso”; vale dizer sem o VGBL, sem os planos de previdência privada aberta e com Capitalização, temos um resultado ainda de crescimento significativo (5,4%), porém ainda não consolidado como tendência até o final do ano.

A recuperação da capacidade de expansão sustentável do mercado de seguros dependerá, de maneira importante, dos cenários econômico nacional e internacional, que colocam grau de incerteza sobre a evolução das taxas de inflação e, consequentemente, expectativas sobre a gestão das atuais taxas de juros pela autoridade monetária.

Essa recuperação dependerá também das ações regulatórias da Susep, de forma a dar execução célere ao seu planejamento para 2026 e do novo marco legal dos seguros, proximamente com o ingresso das chamadas “mútuas” e cooperativas de proteção. Igualmente importante será a flexibilização da oferta de produtos securitários inclusivos, mais aderentes à atual capacidade de pagamento de amplos estratos da população brasileira.

Também há expectativa, para o ano de 2027, de revisão da medida governamental que onerou o IOF para aportes excedentes ao que ela prevê, voltando-se a estimular a formação de poupanças de longo prazo.

Veja o trabalho na íntegra

*Marcio Coriolano é conselheiro Consultivo da CNseg e colaborador eventual da Capitolio Comunicações Estratégicas