Juros altos e eleições reduzem fusões e aquisições em seguros em 2026, mas ticket mediano sobe para R$ 125 mi, aponta a Acorn Advisory.
Os M&As no mercado de seguros perderam velocidade em 2026, por conta dos juros altos e do calendário eleitoral, mas os valores das transações ficaram maiores. É o que mostra estudo da boutique de M&A Acorn Advisory sobre o setor.
O levantamento, com base em dados do TTR Data, aponta que o número de transações caiu de 45 em 2025, para 16 transações até 8 de outubro deste ano. Por outro lado, entre as transações com valor divulgado, o ticket mediano foi de R$ 125 milhões em 2026, contra R$ 71 milhões no ano passado.
Ainda segundo o estudo, as transações de 2025 representaram uma alta de 50% sobre as 30 de 2024. Já o recorde da série é de 2021, com 61 negócios. O resultado do setor de seguros acompanha tendência do mercado de M&A como um todo. O Brasil registrou 593 transações no primeiro semestre, cerca de 35% menos que no mesmo período de 2025, embora o valor agregado tenha subido.
Segundo Mateus Lenza, vice-presidente da Acorn Advisory, a Selic alta ao longo de quase todo o ano e o cenário de expectativa criado pelas eleições tiveram papel fundamental na retração de operações que atinge o setor. “A taxa começou o ano em 15% e só chegou a 13,75% em setembro. E os investidores financeiros, presentes em 27% das transações do setor desde 2017, são os primeiros a sentir esse custo. Além disso, devido ao período eleitoral, compradores e vendedores adiaram decisões à espera de juros menores e de um cenário político definido, sobretudo nos processos que dependem de capital de fundos”, explica.
Para ele, o setor não perdeu atratividade, e sim, velocidade. “Em 2025 tivemos retomada em volume. Já 2026 é o ano da seletividade. O que sustentou a atividade foram negócios de maior porte, muitos deles voltados à compra de licenças”, completa.
Dentre eles, o PicPay concluiu, em agosto, a aquisição da Kovr, em operação de R$ 657,6 milhões, segundo o prospecto do IPO. Em julho, a Sompo anunciou a compra da Fator Seguradora, que somou R$ 796 milhões em prêmios em 2025.
Na corretagem, a Alper comprou em junho a Montpolo, que tem R$ 65 milhões em prêmios. Foi a 12ª aquisição da empresa na unidade de Benefícios.
“Comprar uma seguradora já licenciada é mais rápido do que construir uma. Para quem quer entrar no setor, a licença virou atalho. E os tickets ficaram maiores: Kovr e Assim Saúde superam com folga o ticket mediano de R$ 71 milhões registrados no período 2025–26”, diz Lenza.
Perspectiva para 2027
Para 2027, os fundamentos do setor seguem sólidos. A CNseg projeta arrecadação de R$ 808 bilhões em 2026, alta de 5,7%, com a saúde suplementar crescendo 9%. O novo marco do contrato de seguro (Lei 15.040/2024), em vigor desde dezembro de 2025, e a LC 213/2025 também redesenham o ambiente regulatório.
“A tese de consolidação segue intacta. Com os juros em queda e o ciclo eleitoral encerrado, a expectativa é que os processos adiados voltem à mesa ao longo de 2027. Quem estiver preparado, com a empresa organizada e uma tese clara, vai capturar as melhores oportunidades”, finaliza.
