Seguro Prestamista e a proteção financeira em momentos difíceis

Por Juan Carlos Lanau*

Planejar as finanças pessoais nunca foi uma tarefa simples. Em um cenário em que o crédito faz parte da rotina de milhões de brasileiros, seja para adquirir um bem, investir em um negócio ou cobrir despesas inesperadas, a capacidade de manter os compromissos financeiros depende, muitas vezes, de um fator impossível de controlar: os imprevistos.

Uma doença, um acidente, uma incapacidade temporária para o trabalho ou até o falecimento de quem responde pelo pagamento de uma dívida podem transformar rapidamente um orçamento equilibrado em uma situação de grande vulnerabilidade financeira. Mais do que comprometer o pagamento de parcelas, esses eventos podem gerar um efeito em cadeia, afetando o patrimônio, a estabilidade da família e o próprio acesso ao crédito.

É justamente nesse contexto que o Seguro Prestamista assume uma função que, embora pouco discutida fora do mercado segurador, tem relevante impacto econômico e social: proteger pessoas e famílias diante de eventos inesperados que impeçam o cumprimento de obrigações financeiras previamente assumidas.

Nos últimos anos, essa proteção ganhou ainda mais relevância. O seguro prestamista consolidou-se como um dos principais produtos do segmento de seguros de pessoas no Brasil. Segundo levantamento da CNseg, elaborado com base em dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados), em 2025 esse tipo de proteção movimentou mais de R$ 21 bilhões em prêmios e pagou quase R$ 4 bilhões em indenizações, contribuindo para que milhares de consumidores conseguissem liquidar ou reduzir suas dívidas diante de situações adversas.

Esses números ajudam a ilustrar um aspecto importante: o seguro prestamista não existe para incentivar o crédito, mas para proteger o consumidor quando acontecimentos inesperados comprometem sua capacidade de pagamento. Em um país onde financiamentos imobiliários, empréstimos, crédito consignado e outras modalidades de crédito fazem parte do planejamento financeiro de milhões de famílias, essa proteção contribui para preservar o equilíbrio financeiro justamente nos momentos de maior vulnerabilidade.

Por isso, é importante compreender que o seguro prestamista é um produto independente da operação de crédito. Sua finalidade é quitar ou amortizar, conforme as condições contratadas, uma obrigação financeira quando ocorre um dos eventos previstos na apólice, como morte, invalidez permanente, um desemprego involuntário ou incapacidade temporária para o trabalho. As coberturas, entretanto, variam de acordo com cada contrato e devem ser conhecidas pelo consumidor antes da contratação.

Outro ponto fundamental é que sua contratação é facultativa. O consumidor deve decidir livremente se deseja aderir ao seguro, sem que essa escolha condicione a concessão do crédito. Transparência, comunicação clara e respeito à decisão do cliente.

Mais do que oferecer uma cobertura financeira, o seguro prestamista integra uma visão mais ampla de proteção patrimonial. Educação financeira não envolve apenas planejar receitas e administrar despesas, mas também reconhecer que imprevistos fazem parte da vida e que seus impactos podem ser minimizados quando existem mecanismos de proteção adequados. Nesse sentido, o seguro prestamista ajuda a preservar não apenas a capacidade de pagamento, mas também a estabilidade financeira e os projetos construídos pelas famílias ao longo do tempo.

Juan Carlos Lanau é Diretor Técnico da Brasilseg, uma empresa BB Seguros