Levantamento da TEx, da Serasa Experian, aponta queda anual de 16,7% no índice de preços relativos do seguro de motos e recuo de 11,8% no de automóveis, apesar da segunda alta mensal consecutiva do segmento.
O índice de preços relativos do seguro de motocicletas atingiu, em setembro, o menor nível desde o início da série histórica da TEx, em agosto de 2023. Segundo o estudo IPSA + IPSM, Índice de Preços do Seguro de Automóvel e Moto, desenvolvido pela TEx, parte da Serasa Experian, o IPSM passou de 8,4% em agosto para 8,0% em setembro, queda mensal de 4,8%. O seguro auto seguiu na direção contrária: o IPSA avançou de 4,4% para 4,5%, alta de 2,3% e segundo aumento consecutivo.
O resultado das motocicletas ficou 0,4 ponto percentual abaixo do menor patamar anterior, de 8,4%, registrado em março e agosto deste ano. Na comparação com os meses de setembro desde o lançamento do indicador, o índice também foi inferior aos 9,6% observados em 2023, aos 9,2% de 2024 e aos 9,6% de 2025.
A queda das motos também se destaca na comparação anual. Entre setembro de 2025 e setembro de 2026, o IPSM recuou de 9,6% para 8,0%, redução de 1,6 ponto percentual, equivalente a 16,7%. No seguro auto, o indicador passou de 5,1% para 4,5% no mesmo intervalo, queda de 0,6 ponto percentual ou 11,8%.
Apesar das duas altas consecutivas, o índice de automóveis permanece abaixo do nível registrado há um ano. Desde julho, quando atingiu 4,3%, o menor valor da série do IPSA, o indicador acumulou avanço de 0,2 ponto percentual. No mesmo intervalo, o seguro de motos caiu 0,6 ponto percentual.
Com esses movimentos, a distância entre os dois indicadores diminuiu. Em setembro de 2025, o IPSM superava o IPSA em 4,5 pontos percentuais. Um ano depois, a diferença passou para 3,5 pontos.
“O seguro de moto chegou a um patamar que não havia sido registrado desde o início da série, em 2023. É uma queda importante, especialmente porque ocorreu pelo segundo mês consecutivo e também aparece na comparação anual. No seguro auto, tivemos duas altas seguidas, mas o índice ainda está abaixo do registrado há um ano. São movimentos diferentes, que precisam ser acompanhados separadamente”, afirma Rodolfo Brandão, gerente executivo de Seguros da Serasa Experian.
Seguro novo permanece acima das renovações
A modalidade de contratação continuou apresentando diferenças nos índices de preços relativos em setembro. No seguro novo, os percentuais ficaram em 5,7% para automóveis e 9,1% para motocicletas, os maiores entre as três modalidades analisadas.
Nas renovações realizadas por outra corretora, os índices foram de 3,2% para automóveis e 8,7% para motos. Já nas renovações pela própria corretora, ficaram em 3,8% e 6,5%, respectivamente.
O seguro novo permaneceu, portanto, acima das duas modalidades de renovação nos dois segmentos. Entre os automóveis, a diferença chegou a 78,1% na comparação entre o índice do seguro novo, de 5,7%, e o das renovações realizadas por outra corretora, de 3,2%.
Seguro de moto recua mais entre mulheres
A queda do IPSM em setembro alcançou homens e mulheres, mas foi proporcionalmente maior entre as seguradas. No público masculino, o índice passou de 8,5% em agosto para 8,1% em setembro, redução de 4,7%. Entre as mulheres, recuou de 8,2% para 7,7%, queda de 6,1%.
Com isso, a diferença entre os índices masculino e feminino aumentou de 0,3 para 0,4 ponto percentual.
No seguro auto, o comportamento foi oposto. Os dois grupos registraram alta de 0,1 ponto percentual. O IPSA masculino passou de 4,5% para 4,6%, enquanto o feminino avançou de 4,2% para 4,3%. A distância entre ambos permaneceu em 0,3 ponto percentual.
Na comparação com setembro de 2025, todos os grupos apresentaram redução. No seguro de motos, o índice masculino caiu de 9,9% para 8,1%, enquanto o feminino passou de 8,8% para 7,7%. No seguro auto, os percentuais recuaram de 5,3% para 4,6% entre homens e de 4,9% para 4,3% entre mulheres.
Queda do seguro de moto alcança todas as faixas etárias
A redução do IPSM também foi registrada em todas as faixas etárias analisadas, tanto na comparação mensal quanto na anual.
Entre agosto e setembro, os condutores de 18 a 25 anos apresentaram a maior queda em pontos percentuais, com o índice passando de 13,7% para 13,0%, recuo de 0,7 ponto percentual.
Na comparação com setembro de 2025, a maior redução proporcional ocorreu entre os condutores de 56 anos ou mais, com queda de 20,9%.
No seguro auto, todas as faixas etárias registraram aumento mensal. A maior alta ocorreu entre os motoristas de 18 a 25 anos, cujo índice passou de 7,2% para 7,8%, avanço de 0,6 ponto percentual.
Mesmo com o aumento de setembro, todas as faixas do IPSA permaneceram abaixo dos níveis registrados um ano antes. Entre os mais jovens, por exemplo, o indicador caiu de 9,1% em setembro de 2025 para 7,8% em setembro deste ano.
Rio tem índice de seguro de moto mais que o dobro do registrado em Belém
As diferenças de preços relativos também aparecem no recorte geográfico. Em setembro, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro registrou índice de 5,5% para o seguro de automóveis e 11,8% para motocicletas.
Na Região Metropolitana de Belém, os percentuais ficaram em 3,2% para carros e 5,3% para motos. Na comparação entre as duas regiões, o índice do Rio foi 71,9% superior no seguro auto e 122,6% maior no seguro de motocicletas.
Entre as demais regiões metropolitanas, São Paulo registrou 4,5% no seguro auto e 10,8% no de motos; Salvador, 4,7% e 8,7%; Recife, 4,3% e 7,5%; Belo Horizonte, 4,4% e 7,8%; Porto Alegre, 4,3% e 6,3%; Fortaleza, 3,3% e 6,8%; e Curitiba, 3,6% e 8,2%.
“A diferença entre as regiões metropolitanas mostra por que o local de circulação e permanência do veículo é considerado pelas seguradoras. O CEP faz parte de uma análise que também inclui características do condutor, do veículo e o histórico de risco. Por isso, os índices podem variar bastante mesmo quando comparamos seguros da mesma modalidade”, explica Brandão.
Veículos mais antigos continuam com índices superiores
A idade do automóvel também diferencia o preço relativo do seguro. Em setembro, os veículos com seis a dez anos de uso registraram índice de 5,7%, enquanto os zero quilômetro ficaram em 3,2%, diferença de 78,1%.
Na análise por valor da tabela Fipe, os automóveis de menor valor continuaram apresentando os maiores percentuais. Entre os veículos avaliados de R$ 31 mil a R$ 50 mil, o índice caiu de 7,8% em agosto para 7,4% em setembro, recuo de 5,1%.
Na faixa de R$ 51 mil a R$ 80 mil, o índice ficou em 5,7%. Entre R$ 81 mil e R$ 150 mil, subiu para 3,9%, enquanto os automóveis acima de R$ 151 mil registraram 2,8%.
Elétricos e híbridos registram as maiores quedas anuais
Entre os automóveis com até dois anos de uso, elétricos e híbridos apresentaram as maiores reduções do IPSA na comparação com setembro de 2025.
Nos elétricos, o índice caiu 0,8 ponto percentual em 12 meses, chegando a 3,8% em setembro. Nos híbridos, a redução foi de 0,5 ponto percentual, para 2,3%, o menor índice entre as quatro categorias de propulsão analisadas.
Os automóveis a gasolina registraram 3,7%, apenas 0,1 ponto percentual abaixo dos elétricos. Os modelos a diesel ficaram em 3,4%.
Na comparação mensal, os índices dos elétricos e híbridos recuaram, enquanto os dos veículos a gasolina e diesel avançaram. Esse movimento aproximou o índice dos elétricos ao registrado pelos automóveis a gasolina.
Eletrificados representam 14,4% das cotações
A distribuição das cotações por tipo de combustível mostra que os veículos a gasolina concentraram 81,0% do volume analisado em setembro. Os híbridos representaram 7,3%, os elétricos, 7,1%, e os modelos a diesel, 4,6%.
Somados, elétricos e híbridos responderam por 14,4% das cotações do mês.
No ranking geral dos veículos mais cotados pelo TELEPORT, o Chevrolet Onix liderou, com 4,9% do volume, seguido pelo Jeep Renegade, com 4,3%, e pelo Jeep Compass, com 4,0%.
Entre os híbridos com até dois anos de uso, o BYD Song concentrou 37,2% das cotações da categoria, seguido pelo GWM Haval, com 31,4%, e pelo BYD King, com 12,1%.
Nos elétricos, o BYD Dolphin ocupou a primeira posição, com 47,6% das cotações, seguido pelo Geely EX2, com 21,2%, e pelo Geely EX5, com 15,1%.
“Os veículos eletrificados já têm participação relevante nas cotações, mas elétricos e híbridos apresentam comportamentos diferentes no preço do seguro. Em setembro, os dois grupos tiveram as maiores quedas anuais entre as motorizações analisadas. Esse acompanhamento ajuda a entender como a precificação evolui à medida que esses modelos passam a fazer parte da frota brasileira”, avalia Brandão.
Franquia do seguro auto sobe para 5,7%
O indicador de franquia do seguro auto passou de 5,5% em agosto para 5,7% em setembro. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a alta foi de 5,6%.
A diferença também aparece conforme o valor do automóvel. Entre os veículos avaliados de R$ 31 mil a R$ 50 mil, o índice de franquia ficou em 7,4%. Na faixa de R$ 51 mil a R$ 80 mil, foi de 5,8%; entre R$ 81 mil e R$ 150 mil, de 5,3%; e nos modelos acima de R$ 151 mil, de 5,7%.
Assim, a franquia dos automóveis de R$ 31 mil a R$ 50 mil ficou 39,6% acima da registrada na faixa de R$ 81 mil a R$ 150 mil.
Acesse o estudo completo
O relatório completo do IPSA + IPSM, Índice de Preço do Seguro de Automóvel e Moto de setembro, está disponível gratuitamente para consulta e download.
