Leonardo Baldez Augusto é fundador da empresa ISF Crédito Orientado

Planejamento financeiro de longo prazo impulsiona adesão de consumidores de até 30 anos a modelos coletivos de aquisição

O consórcio deixou de ser uma alternativa associada a públicos mais maduros e passou a ganhar espaço entre jovens adultos que buscam adquirir carro e imóvel sem recorrer ao crédito tradicional. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios indicam crescimento da participação de consorciados com até 30 anos no período pós-pandemia, acompanhando mudanças no comportamento financeiro da Geração Z, mais avessa ao endividamento com juros elevados.

Leonardo Baldez Augusto, economista, especialista em planejamento financeiro e fundador da empresa ISF Crédito Orientado, avalia que a expansão do consórcio entre jovens está diretamente ligada à reorganização das prioridades após a pandemia e ao encarecimento do crédito no país. “Essa geração passou a observar com mais atenção compromissos de longo prazo. O consórcio se encaixa porque elimina juros e estimula disciplina financeira desde cedo”, afirma.

Levantamentos da ABAC indicam que a soma das faixas etárias até 35 anos já representa parcela próxima de metade dos novos consorciados no Brasil, com destaque para os segmentos de veículos leves e imóveis.

O dado reflete o interesse em sair do aluguel ou trocar o automóvel sem assumir financiamentos corrigidos por taxas elevadas. Para o especialista, trata-se de uma mudança estrutural na forma de consumir produtos financeiros. “Há uma percepção clara de que o custo dos juros compromete escolhas futuras. O consórcio passa a ser visto como ferramenta de planejamento, não apenas de compra”, diz.

O avanço do modelo também traz impactos para empresas e para o próprio mercado financeiro. Administradoras relatam maior procura por planos flexíveis, com parcelas compatíveis com a renda inicial dos jovens e possibilidade de ajustes ao longo do tempo.

Leonardo observa que esse público exige mais transparência e orientação técnica. “Não basta vender a carta de crédito. É preciso explicar prazos, regras de contemplação e responsabilidades. A relação com o consorciado tende a ser mais educativa”, afirma.

Apesar das vantagens, o economista alerta que a adesão exige cuidados. O consórcio não oferece acesso imediato ao bem e pressupõe planejamento consistente ao longo dos anos. “Ele funciona bem quando está alinhado ao orçamento e aos objetivos de médio e longo prazo. Entrar sem organização pode gerar frustração”, pontua.

O especialista aponta pontos de atenção antes da adesão

Antes de aderir, Baldez recomenda que o jovem defina metas claras e avalie sua capacidade financeira real. A partir dessa análise, alguns pontos devem ser considerados:

  • verificar se a parcela cabe no orçamento mesmo em cenários de renda variável;
  • analisar taxas administrativas e regras de contemplação;
  • escolher administradoras com histórico sólido e autorização junto ao Banco Central;
  • alinhar o valor da carta de crédito ao objetivo efetivo de compra.

Na avaliação do especialista, o crescimento do consórcio entre jovens adultos indica uma transformação mais ampla na relação com o dinheiro e com o consumo financeiro. “Não se trata apenas de adquirir um bem, mas de aprender a planejar desde cedo. Quem começa agora tende a chegar mais preparado aos próximos ciclos da vida financeira”, conclui.

 

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