Companhias ampliam soluções e avançam na estruturação de programas de
saúde mental, mas ainda encontram desafios
A atualização da NR-1, que amplia o escopo do Gerenciamento de Riscos
Ocupacionais (GRO) para incluir fatores psicossociais, têm desafiado as
empresas brasileiras na gestão da saúde mental. Dados do INSS apontam
que cerca de 288 mil pessoas foram afastadas por transtornos mentais e
comportamentais em 2023, um crescimento de aproximadamente 38% em
relação ao ano anterior, tornando ansiedade e depressão umas das
principais causas de afastamento do trabalho no Brasil.
Neste cenário, a resposta mais imediata das companhias tem sido a
ampliação de soluções como telemedicina e terapia online, ainda que de
forma, em muitos casos, não estruturada. É o que aponta a 10ª edição da
Pesquisa de Benefícios da Lockton – com 627 empresas participantes, o
levantamento indica que 86% das empresas participantes oferecem
telemedicina, enquanto a oferta de terapia online cresceu 33% em 2025.
No entanto, o estudo indica que a adoção dessas ferramentas nem sempre
está acompanhada de uma estratégia estruturada de gestão de riscos
psicossociais. A análise da Lockton revela diferentes níveis de
maturidade entre as empresas, sendo que a maior parte delas ainda trata
o tema de forma reativa, enquanto uma parcela menor já incorpora
monitoramento, indicadores e ações preventivas integradas.
“A NR-1 não trata apenas de acesso ao cuidado, mas de gestão estruturada
do risco. Muitas empresas avançaram na oferta de soluções, mas ainda
precisam evoluir na forma como monitoram, analisam e integram essas
iniciativas à estratégia”, afirma Leandro Romani , Diretor Médico da
Lockton Brasil, “Nesse contexto, soluções oferecidas pela área de People
Solutions da Lockton, auxiliam as empresas para identificar o nível de
maturidade em saúde corporativa, desde a análise de indicadores, como
sinistralidade e afastamentos até o desenho de programas aderentes às
exigências regulatórias, alinhadas às necessidades da força de
trabalho.”
O levantamento também mostra que 63% das empresas participantes já
consideram os benefícios parte central da proposta de valor ao
colaborador, o que amplia a responsabilidade das organizações em
estruturar programas consistentes, capazes de equilibrar bem-estar,
produtividade e sustentabilidade dos custos.
“O desafio agora não é apenas oferecer soluções, mas garantir que elas
estejam conectadas a uma leitura real de risco. Isso envolve entender o
perfil da força de trabalho, acompanhar indicadores e estruturar
programas que façam sentido dentro do contexto da empresa e da
legislação”, explica Bruno. “A tendência é que as empresas avancem para
modelos mais integrados, em que saúde mental, dados e estratégia
caminhem juntos. Telemedicina e terapia online seguem relevantes, mas
precisam estar inseridas em uma abordagem mais ampla de gestão de
risco”, conclui Romani.
