Com crédito mais caro e maior busca por organização financeira,
modalidade ganha espaço como alternativa ao financiamento tradicional
O avanço dos juros no Brasil ao longo de 2025 tem levado consumidores a
buscar alternativas para reduzir custos e melhorar a organização
financeira. Nesse cenário, o consórcio tem ganhado espaço não apenas
como forma de aquisição, mas como estratégia para pagar menos e formar
patrimônio no médio e longo prazo.
Dados do Banco Central indicam que as taxas de juros para pessoas
físicas seguiram elevadas em 2025, pressionando modalidades tradicionais
de crédito, como o financiamento. Esse cenário tem levado consumidores a
buscar alternativas que reduzam o custo total das aquisições e permitam
maior previsibilidade financeira.
Nesse contexto, o sistema de consórcios manteve crescimento consistente.
Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, o
setor superou R$500 bilhões em créditos comercializados em 2025, com
cerca de 5 milhões de cotas vendidas no período e mais de 11 milhões de
participantes ativos. O desempenho reflete uma mudança gradual na forma
como o brasileiro planeja a aquisição de bens.
Para Carlos Fuzinelli, sócio-fundador e CEO da FVL Consórcios e
especialista em expansão de franquias no setor financeiro, o consórcio
tem sido cada vez mais utilizado como estratégia de construção
patrimonial. “O consórcio deixa de ser apenas uma alternativa ao
financiamento e passa a ser uma ferramenta de planejamento. O consumidor
não está só pensando em comprar, mas em como comprar melhor e com menor
impacto financeiro ao longo do tempo”, afirma.
Diferentemente do financiamento, que envolve a incidência de juros para
antecipação do crédito, o consórcio opera por meio da formação de
capital coletivo, com cobrança de taxa de administração. Essa estrutura
permite que o valor final pago pelo bem seja significativamente menor.
Na comparação com o financiamento, a diferença no custo total é
significativa. Sem a incidência de juros, o consórcio permite ao
consumidor direcionar o valor pago para a formação de patrimônio, e não
para encargos financeiros.
Além da redução de custo, o modelo contribui para a disciplina
financeira. Ao assumir parcelas mensais programadas, o consumidor cria
um hábito de poupança direcionada. “Muitas pessoas utilizam o consórcio
como uma forma de se organizar financeiramente. Ele funciona como um
compromisso de longo prazo voltado para a construção de patrimônio”,
diz.
O uso estratégico da modalidade também tem se ampliado. Há consumidores
que utilizam cartas de crédito para aquisição de imóveis com potencial
de valorização, geração de renda por meio de aluguel ou até
diversificação de investimentos.
“O consórcio permite acessar ativos que, muitas vezes, não seriam
viáveis à vista. Quando bem planejado, ele pode ser uma ferramenta
importante de crescimento patrimonial”, afirma.
Mesmo com esses avanços, o financiamento ainda lidera entre as opções
mais utilizadas, principalmente por atender à demanda imediata. Dados da
Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
mostram que o crédito imobiliário movimentou mais de R$150 bilhões em
2025, evidenciando que a urgência ainda pesa na decisão do consumidor.
Por outro lado, especialistas apontam que o custo dessa urgência tem se
tornado mais evidente. Compromissos de longo prazo com juros elevados
impactam a capacidade de consumo e de investimento das famílias.
“O consumidor começa a perceber que não basta adquirir um bem, é preciso
avaliar o impacto financeiro dessa decisão ao longo dos anos. O
consórcio ganha espaço justamente por oferecer essa possibilidade de
planejamento”, diz.
O pagamento à vista segue como a opção mais vantajosa do ponto de vista
financeiro, mas está restrito a uma parcela menor da população. Dados do
IBGE indicam que a maioria das famílias brasileiras ainda depende de
parcelamento para aquisição de bens de maior valor.
Nesse cenário, o consórcio se posiciona como uma alternativa
intermediária entre acesso e custo. Ele não atende à urgência, mas
oferece previsibilidade, menor custo total e possibilidade de
organização financeira.
Com o crédito mais caro e maior conscientização sobre endividamento, a
tendência é que o consórcio amplie sua participação no mercado nos
próximos anos, não apenas como meio de compra, mas como estratégia de
construção de patrimônio.
“O consórcio deixa de ser apenas uma forma de compra e passa a ser uma
estratégia financeira. Ele permite reduzir custos e, ao mesmo tempo,
construir patrimônio de forma mais eficiente”, conclui.
Legenda: Carlos Fuzinelli, sócio-fundador e CEO
