Com avanço da discussão pública sobre violência e comportamento, setor de seguros passa a incluir suporte às vítimas como parte da proteção oferecida ao cliente
O avanço recente do debate público sobre violência doméstica, impulsionado por casos de grande repercussão e pela circulação de conteúdos que reforçam comportamentos de risco, tem colocado o tema no centro das discussões sociais e econômicas no país. Ao mesmo tempo, o mercado de seguros começa a responder a esse cenário com mudanças concretas na estrutura de seus produtos.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registra um caso de violência doméstica a cada poucos minutos, com mais de 245 mil denúncias relacionadas à violência contra a mulher em um único ano, evidenciando a dimensão e a urgência do problema.
Nos últimos anos, o setor segurador vem registrando crescimento consistente no Brasil, ampliando sua presença no planejamento financeiro das famílias. Dentro desse movimento, o seguro residencial passa a incorporar novos serviços que vão além da proteção patrimonial, incluindo suporte a mulheres em situação de violência doméstica, como assistência psicológica, orientação jurídica e rede de apoio.
Esse tipo de cobertura já chega ao consumidor por meio de empresas que distribuem e operam esses produtos, como a Unifisa Seguros, que atua na comercialização de seguros integrada à estratégia de planejamento financeiro e patrimonial.
Para Graziela Savian, diretora da Unifisa Seguros, a mudança reflete uma transformação necessária na forma como o setor entende o conceito de proteção. “O que a gente vê hoje é uma realidade mais complexa. A proteção não pode ficar restrita ao bem material. O cliente vive situações que exigem suporte imediato, e o seguro precisa acompanhar isso com soluções práticas”, afirma.
Segundo a executiva, o papel da Unifisa vai além da oferta do produto e passa pela forma como esse tipo de cobertura é apresentado ao cliente. “Muitas pessoas ainda associam o seguro a algo distante, que só entra em cena em situações específicas. Quando mostramos que ele pode apoiar em momentos críticos da vida, a percepção muda completamente”, explica.
A discussão também ganha força dentro da própria operação do Grupo Unifisa. Com presença relevante de mulheres em áreas estratégicas, especialmente na frente comercial, o tema deixa de ser apenas institucional e passa a influenciar diretamente a forma como os produtos são posicionados e oferecidos ao mercado.
Hoje, o Grupo Unifisa soma 77 mulheres em cargos de liderança, sendo 54 na área comercial e 23 no administrativo, além de contar com 150 mães em seu quadro, o que reforça a conexão entre a pauta de proteção e a realidade vivida dentro da própria empresa.
Para Graziela, que lidera a área de seguros, dar visibilidade a essa pauta também faz parte do papel de quem ocupa posições de liderança no setor financeiro.
“Existe uma responsabilidade em trazer esse tema para a conversa. Não como discurso, mas como parte do que o produto já consegue oferecer hoje. O impacto disso na vida das pessoas é real”, completa.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla do mercado financeiro, que passa a integrar questões sociais à estrutura de seus produtos, conectando proteção, planejamento e realidade do cliente em um cenário cada vez mais desafiador.
