Por Vitor Corrêa
Os roubos efurtos envolvendo caminhões e outros veículos pesados recuaram 22,9% no Estado de São Paulo entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O dado, apontado pelo Boletim Tracker-Fecap, representa uma redução relevante no volume de ocorrências, mas não significa, necessariamente, uma queda proporcional do risco operacional para transportadoras, embarcadores, seguradoras e gestores de frota.
O comportamento do crime precisa ser observado para além do número absoluto de ocorrências. Na análise, por exemplo, da cidade de São Paulo, os furtos cresceram 8,1% em abril e 39,2% em maio. Ou seja, a dinâmica criminosa pode se alterar rapidamente e reforça a importância de acompanhar não apenas a quantidade de eventos, mas também a forma como eles acontecem, onde se concentram e quais estratégias são utilizadas para viabilizar a subtração e a movimentação dos veículos.
Sob a ótica operacional, a redução observada em 2026 deve ser interpretada com cautela. Uma queda nas ocorrências não elimina a necessidade de proteção dos ativos. Ao contrário, mudanças no perfil dos eventos podem indicar adaptação das organizações criminosas aos mecanismos de segurança disponíveis, aos corredores logísticos e às oportunidades encontradas durante a operação de transporte.
O desafio das empresas não deve ser apenas responder rapidamente depois que um veículo foi roubado ou furtado. É preciso também aumentar a dificuldade para que a subtração aconteça e, principalmente, reduzir a capacidade de movimentação do ativo depois do evento.
É nesse ponto que ganha importância o conceito de segurança em camadas. O rastreamento é indispensável para proporcionar visibilidade, localização e suporte à operação de recuperação. Tecnologias como radiofrequência, GPS e soluções híbridas ampliam a capacidade de monitoramento e permitem uma atuação mais rápida quando uma ocorrência é identificada. Mas nenhuma tecnologia deve ser considerada isoladamente quando o objetivo é construir uma estratégia abrangente de proteção.
Equipamentos adicionais de segurança, como imobilizadores, podem agregar uma camada preventiva e de contenção, dificultando a movimentação não autorizada do veículo e aumentando o tempo e a complexidade necessários para que o criminoso conclua a ação. Quanto maior a dificuldade operacional encontrada pelo autor do crime, maior tende a ser a oportunidade para que os mecanismos de detecção, monitoramento e recuperação sejam acionados.
A necessidade de combinar diferentes recursos fica ainda mais evidente diante da capacidade de adaptação do crime organizado. As organizações criminosas ajustam sua atuação de acordo com corredores logísticos, oportunidades operacionais e estratégias de segurança existentes. Por isso, uma política eficiente de proteção não deve depender de uma única tecnologia ou de uma única etapa da operação.
A atuação precisa ocorrer antes, durante e depois do evento: prevenir a subtração, detectar rapidamente uma situação de risco, dificultar a movimentação indevida, monitorar o ativo e, quando necessário, executar uma operação de recuperação com velocidade e precisão.
Quanto mais estruturada for essa combinação, maior será a dificuldade operacional imposta ao criminoso e maior a capacidade de reação das empresas diante de uma ocorrência.
Vitor Corrêa é gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker
