GRISTEC obtém aval da PF para projeto de segurança

Documento desenvolvido pela entidade oferece uma referência técnica essencial para apoiar as empresas do transporte rodoviário de cargas na adaptação ao novo marco regulatório da segurança privada.

A GRISTEC desenvolveu um modelo setorial de Projeto de Segurança voltado às particularidades e à realidade operacional do transporte rodoviário de cargas brasileiro. O documento foi submetido a uma consulta formal e recebeu parecer favorável da Polícia Federal, representando um avanço relevante para a organização e a conformidade das operações de gerenciamento de riscos no setor.

A iniciativa busca oferecer às empresas uma referência técnica estruturada para a adequação às novas exigências regulatórias da segurança privada. O modelo considera as características específicas das operações de transporte de bens, numerários e valores, incluindo os diferentes níveis de exposição, perfis de carga, rotas, veículos, profissionais, recursos tecnológicos e procedimentos de resposta.

O documento foi estruturado com base na Lei nº 14.967/2024, no Decreto nº 13.012/2026 e na Instrução Normativa DG/PF nº 340/2026, especialmente em seu artigo 141. A proposta contempla 15 temas principais, entre eles identificação e controle documental, análise de riscos, veículos e equipamentos, motoristas e demais profissionais, rotas, comunicação segura, monitoramento, planos de contingência, gestão de exceções, auditoria, análise de sinistros e governança.

Para Bruna Medeiros, presidente da GRISTEC, a construção do modelo representa uma contribuição concreta para o amadurecimento do mercado. “O transporte rodoviário de cargas possui características operacionais próprias e exige uma abordagem de segurança compatível com essa realidade. O modelo desenvolvido pela GRISTEC organiza os principais elementos que precisam ser considerados pelas empresas e oferece uma base técnica para apoiar a transição regulatória com mais clareza, objetividade e segurança jurídica”, diz.

Segurança

Entre os princípios estruturantes do documento estão a proporcionalidade, a objetividade, a rastreabilidade, a integração de recursos, a cobertura da operação, a melhoria contínua e a prioridade absoluta à vida e à segurança das pessoas.

A proposta também estabelece uma divisão em camadas operacionais. A primeira é formada pelo Projeto de Segurança, documento geral submetido à Polícia Federal. A segunda corresponde ao Plano de Gerenciamento de Risco, elaborado de acordo com as características específicas de cada operação. A terceira é composta pelas Solicitações de Monitoramento ou instrumentos equivalentes, que individualizam cada viagem e registram os procedimentos e ocorrências correspondentes.

Particularidades

A GRISTEC ressalta que o modelo setorial não substitui a análise individualizada de cada operação nem a responsabilidade técnica do Gestor de Segurança Privada. As particularidades de cada contratante, carga, rota, veículo, jornada e condição operacional devem ser avaliadas e documentadas nos instrumentos específicos vinculados ao projeto.

“O parecer favorável confirma a relevância de uma construção técnica feita a partir da realidade do setor. Não se trata de criar um documento genérico, mas de organizar uma metodologia que permita às empresas identificar seus riscos, definir medidas proporcionais e manter registros capazes de demonstrar a coerência das decisões tomadas”, explica Bruna.

A iniciativa ocorre em um momento de adaptação do mercado ao novo marco regulatório da segurança privada. Conforme discutido pela entidade, as empresas devem antecipar medidas de adequação, incluindo a verificação de seus contratos sociais, do capital social e da previsão de prestação de serviços no objeto social, conforme aplicável à legislação.

O modelo de Projeto de Segurança será disponibilizado pela GRISTEC ao mercado como uma referência para apoiar empresas, gestores e demais profissionais envolvidos na estruturação das operações. A entidade também pretende divulgar informações sobre escolas de formação aptas a oferecer os treinamentos obrigatórios para operadores e supervisores, conforme os requisitos aplicáveis.