Seguro sem ser seguradora? Entenda o modelo MGA no Brasil

Conectando empresas e seguradoras, o modelo MGA movimentou US$ 128 bilhões nos EUA e ganha força no mercado brasileiro

Você acabou de comprar um carro e, na hora de fechar o negócio, recebe uma oferta de seguro da própria marca. Mas aquela empresa não é uma seguradora. Como isso funciona? Uma das respostas está no MGA, sigla para Managing General Agent, modelo que vem conectando empresas e seguradoras.

Nos Estados Unidos, esse mercado movimentou cerca de US$ 128 bilhões em prêmios em 2025, segundo estudo da Conning divulgado em julho de 2026. Prêmio é o valor pago pela contratação do seguro: o número mede o volume de seguros, e não o faturamento próprio das MGAs.

No Brasil, o modelo aparece em operações voltadas a diferentes públicos, como motoristas e viajantes. A proposta é aproximar o seguro de quem conhece o cliente, combinando essa experiência com a estrutura de uma seguradora. Mas cada participante tem responsabilidades próprias.

Uma ponte entre empresas

Uma forma de entender o MGA é pensar em uma ponte: de um lado, está a empresa que conhece as necessidades de determinado público; do outro, a seguradora que assume o risco. A MGA conecta essas pontas e pode atuar no desenvolvimento, na distribuição e na operação do produto.

“O MGA normalmente nasce especialista em determinado público, segmento ou canal de distribuição”, explica Pedro Pires, founder da Split Risk, uma das principais operadoras de MGA no Brasil. Para ele, conhecer os hábitos do cliente ajuda a desenhar coberturas e uma experiência de contratação mais simples.

A divisão não elimina o papel da seguradora, que continua responsável pelo risco e pelas obrigações do seguro. As tarefas delegadas à MGA dependem do acordo entre as empresas. Ao contratar, o consumidor precisa conseguir identificar a seguradora responsável pela proteção.

Seguro por assinatura

Um exemplo brasileiro é a Meo Seguro, que concentra sua atuação no seguro de automóveis por assinatura mensal. Segundo Douglas Botelho, CEO da empresa, o modelo MGA ajudou a estruturar a proposta, reunindo conhecimento do consumidor, capacidade técnica e distribuição.

“No caso da Meo, isso nos permitiu estruturar um seguro auto por assinatura e construir uma jornada mais simples para o cliente”, afirma Botelho. A proposta da empresa é reduzir barreiras à contratação e tornar a permanência no seguro mais simples e flexível para o consumidor.

Botelho diz que a tecnologia ajuda a reduzir etapas e automatizar processos, da contratação ao relacionamento com o cliente. “O principal ganho não está apenas em digitalizar processos”, afirma. O objetivo, segundo ele, é facilitar o uso do seguro por quem precisa da proteção.

Quem faz o quê?

A diferença entre os participantes merece atenção. A MGA atua em nome da seguradora nas funções acordadas; a corretora faz a intermediação do seguro. Já a seguradora assume o risco previsto no contrato. A marca que aparece na oferta pode ser diferente da que garante a cobertura.

“O ponto não é simplesmente digitalizar um seguro tradicional”, diz Pires. O executivo defende aproveitar o conhecimento da relação com o cliente para desenvolver produtos específicos. É como ajustar uma roupa: o desenho parte das necessidades de quem vai usar a proteção.

Para quem contrata, o cuidado é olhar além da facilidade de compra: conferir coberturas, exclusões, franquia e canais de atendimento. A assinatura mensal também exige entender as condições de renovação e cancelamento. Uma oferta simples deve vir acompanhada de informações claras.

O que as empresas ganham?

Para uma empresa que já tem a confiança do cliente, oferecer seguros pode ampliar os serviços e criar uma nova fonte de receita. “O conhecimento desse público ajuda a identificar necessidades de proteção e a oferecer um produto relacionado ao que ele já compra ou utiliza”, ressalta o founder da Split Risk.

Essa proximidade também pode fortalecer o relacionamento com o consumidor. Uma empresa que vende veículos, por exemplo, pode oferecer proteção para o carro e manter contato depois da compra. Para isso fazer sentido, o seguro precisa atender a uma necessidade real do cliente.

Antes de começar, porém, é preciso avaliar o público, escolher uma seguradora parceira e definir as responsabilidades de cada participante. Também é necessário organizar atendimento e distribuição. “Ter uma base de clientes é um ponto de partida; estruturar a operação exige planejamento”, finaliza Pires.