Eventos climáticos geram perdas indiretas às empresas, diz Lockton

Relatório da Lockton alerta que interrupções em portos, hidrovias e no fornecimento de energia podem comprometer operações e gerar perdas sem cobertura de seguro

Com a previsão de um super El Niño para os últimos meses de 2026, com resultados catastróficos, empresas brasileiras voltam a enfrentar o desafio de se preparar para condições climáticas capazes de afetar todas suas operações. Os prejuízos nem sempre começam com danos às instalações: restrições à navegação, interrupções no fornecimento de energia e dificuldades no transporte de mercadorias também podem comprometer a produção e elevar custos. O relatório Global Heating: Navigating a New Business Reality, publicado pela Lockton em setembro de 2026, analisa como esses riscos se propagam pelas cadeias produtivas e por que parte das perdas pode não estar contemplada nas coberturas de seguro contratadas.

Os exemplos internacionais reunidos no estudo ajudam a compreender esse cenário. Nos Estados Unidos, o fechamento de 12 horas no baixo rio Mississippi pode representar até US$ 3,8 milhões em perdas de produção, segundo a Big River Coalition. Já na Europa, níveis baixos do rio Reno levaram empresas químicas e siderúrgicas a reduzir a produção, enquanto ondas de calor provocaram paralisações de usinas na França, Hungria e Romênia.

No Brasil, a infraestrutura portuária também está exposta a eventos extremos. Um estudo da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), em parceria com a agência alemã GIZ, identificou riscos climáticos em portos públicos costeiros, incluindo ameaças associadas a tempestades e à elevação do nível do mar. Interrupções nessas estruturas podem facilmente afetar o transporte de mercadorias, os prazos de entrega e o abastecimento de empresas de diversos setores.

Simone Ramos, diretora de Portos & Logística

“Quando falamos de risco climático, precisamos olhar para além dos ativos da empresa e entender de quais estruturas, fornecedores e serviços sua operação depende. Uma interrupção em um porto, em uma rota de transporte ou no fornecimento de energia compromete o funcionamento do negócio e gera perdas que vão além dos danos materiais. Antecipar essas vulnerabilidades é fundamental para reduzir os impactos sobre a operação e os resultados financeiros”, afirma Simone Ramos, diretora de Portos & Logística da Lockton Brasil.

Para ajudar as empresas a se preparar, a Lockton recomenda mapear dependências críticas, avaliar a concentração de fornecedores, identificar rotas alternativas, testar planos de continuidade e revisar as apólices para identificar possíveis lacunas de cobertura. A partir desse diagnóstico, é possível estruturar medidas de prevenção e mitigação e avaliar soluções de transferência de riscos, incluindo o seguro paramétrico, cujo pagamento é acionado quando indicadores previamente definidos em contrato, como o volume de chuva ou o nível de um rio, atingem determinados limites.

A integração dessas medidas ao planejamento operacional e financeiro ajuda as empresas a identificar vulnerabilidades, avaliar a proteção disponível e se preparar para diferentes cenários climáticos.

É possível conferir o relatório completo neste LINK.