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MAPFRE apresenta na COP30 estudo que alerta para avanço dos desastres climáticos e pressão sobre o setor de seguros
Segundo o estudo, 2024 registrou perdas econômicas de US$ 368 bilhões causadas por desastres naturais — nível semelhante ao dos últimos anos e que confirma uma tendência persistente de alta nas perdas globais. Ainda assim, menos da metade desses prejuízos estava segurada: apenas 48% tiveram cobertura, deixando uma lacuna de proteção de US$ 191 bilhões.
A desigualdade entre países é um ponto crítico. Mercados emergentes continuam sendo os mais vulneráveis, com baixa penetração do seguro: na Ásia, somente 17% das perdas foram indenizadas; na América Latina, 19%. No Brasil, fatores como urbanização desordenada e ocupação de áreas de risco ampliam a exposição e dificultam a resposta a eventos severos.
O relatório destaca que 2024 foi o ano mais quente da história, com temperatura média global 1,6°C acima dos níveis pré-industriais. O El Niño mais intenso já registrado intensificou secas, enchentes, ondas de calor e reduziu níveis de água em regiões estratégicas. Além dos grandes desastres, crescem os chamados riscos secundários — eventos menos intensos, porém mais frequentes, como vendavais, chuvas extremas, enchentes e granizo, que respondem por grande parte das perdas e são especialmente comuns no Brasil.
Para o setor de seguros, o cenário representa uma pressão dupla: além de elevar o custo das indenizações, a crise climática torna mais difícil estimar riscos futuros, elevando incertezas e exigindo novos modelos de análise. Ao mesmo tempo, o estudo reforça que o seguro se consolida como instrumento essencial de proteção econômica, mas depende de políticas públicas robustas de adaptação e mitigação.
A MAPFRE enfatiza a necessidade de ação conjunta entre governos, reguladores, setor financeiro e seguradoras. “Nenhum governo ou empresa pode lidar com isso sozinho”, alerta a companhia, defendendo estratégias coordenadas para reduzir vulnerabilidades.
Entre as recomendações, o estudo aponta caminhos como parcerias público-privadas para ampliar cobertura, expansão do uso de seguros paramétricos, melhoria na qualidade dos dados de risco e incentivos a projetos de prevenção e adaptação climática. O documento também sugere fortalecer instrumentos financeiros como títulos catastróficos e bônus verdes, fundamentais para financiar ações de resiliência.
