Os dois principais alvos dos criminosos são os automóveis e as motocicletas, que representaram 88,7% do total de ocorrências em 2025
O Estado de São Paulo registrou queda de 11,43% nas ocorrências de roubo (Art. 157) e furto (Art. 155) de veículos, em 2025, na comparação com o ano anterior. Foram 88.544 boletins de ocorrência envolvendo todos os segmentos, contra 99.968 registrados em 2024. Os dados são do Boletim Tracker Fecap, que acaba de ser divulgado.
A queda foi mais acentuada na modalidade de roubo (20,94% – de 20.860 para 16.489 casos). Os furtos caíram 8,92% (de 79.108 para 72.055). “De cada 10 veículos que desaparecem, oito são furtados e dois roubados, em média. Isso porque o furto é um delito com pena mais branda e não exige tanto preparo dos criminosos”, avalia o pesquisador da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) responsável pelo estudo, Erivaldo Vieira.
Os dois principais alvos dos criminosos são os automóveis e as motocicletas, que representaram 88,7% do total de ocorrências em 2025.

Na capital, o crime é mais distribuído. Os 20 bairros com mais casos não chegam a representar um terço do total da cidade, exigindo uma presença policial onipresente.
A Zona Leste e a especialização no furto
A Zona Leste de São Paulo se consolida como o epicentro dos furtos de veículos. Bairros como Vila Matilde (+0,28%) e São Mateus (+1,90%) não apenas resistiram à tendência de queda, mas registraram um aumento no número de furtos. Embora outros bairros da região, como Tatuapé e Ipiranga, tenham tido quedas expressivas, a resiliência do furto em pontos específicos da Zona Leste é um forte indicativo da presença de uma infraestrutura criminal consolidada, provavelmente ligada a desmanches e receptadores.
O caso de Santo Amaro, na Zona Sul, é particularmente emblemático. Com um aumento de 14,72% nos furtos, o bairro se tornou o líder de ocorrências em 2025, mesmo com uma queda expressiva nos roubos (-34,95%). Isso sugere uma migração ou especialização da atividade criminosa local para o furto, um crime de menor risco e maior volume, ideal para abastecer o mercado ilegal de peças.
A periferia da Zona Sul e a persistência do roubo
Bairros da periferia da Zona Sul, como Grajaú (171 roubos) e Campo Limpo (133 roubos), e da Zona Leste, como São Mateus (132 roubos), se destacam como as áreas com os maiores números absolutos de roubos. Nesses locais, o roubo representa uma parcela muito maior do total de crimes (35% no Grajaú, 27% no Campo Limpo) em comparação com bairros centrais ou da Zona Leste mais focados em furto (Tatuapé com 4%, Vila Mariana com 2%). Isso indica que, nessas regiões, o risco de um confronto violento para a subtração do veículo é substancialmente maior.
“Uma possível explicação para essa reorganização é a eficácia e, ao mesmo tempo, a limitação geográfica de programas de monitoramento, como o Smart Sampa. Com a intensificação da vigilância eletrônica em áreas centrais e de grande circulação, a criminalidade parece ter se deslocado para onde há menos ‘olhos'”, analisa o coordenador do Boletim Tracker Fecap.

As ruas dos bairros de Santo Amaro (+21,6%), Vila Prudente (+12,6%) e São Mateus (+12,2%) registraram aumentos significativos nos eventos de roubo e furto. Já o Ipiranga reduziu 39,9%, o Tatuapé teve queda de 31,1% e Sapopemba diminuiu 21,4%. Saíram do ranking 2025 os bairros de Santana e Itaquera; e entraram Penha e São Lucas.


