Capital paulista é a mais afetada em dias chuvosos entre metrópoles da
América Latina, com maior impacto no horário de pico da manhã
A Geotab, líder global em gestão de frotas, ativos e veículos
conectados, divulgou um novo estudo proprietário sobre como a chuva
altera a dinâmica do trânsito em metrópoles da América Latina, com base
em dados de telemetria – tecnologia veicular que registra informações em
tempo real como velocidade, localização e comportamento do motorista. De
acordo com o levantamento, em São Paulo, a velocidade média do trânsito
cai 3,2% em dias chuvosos. Em períodos de precipitação mais intensa,
essa redução pode chegar a até 14,8% — o maior impacto observado entre
as cidades analisadas.
A pesquisa cruza dados de telemetria com registros meteorológicos da
Open-Meteo, plataforma global que consolida dados históricos de clima de
diferentes fontes. A análise cobre o período entre setembro de 2025 e
fevereiro de 2026 e compara o comportamento do trânsito em dias com e
sem chuva, nos mesmos trechos, horários e dias da semana.
Ao todo, foram avaliados mais de 16,2 milhões de trajetos e mais de 31
mil segmentos viários em São Paulo, Cidade do México e Buenos Aires —
três das maiores metrópoles da América Latina em população e volume de
deslocamentos.
De acordo com Caroline Adelina de Jesus, Engenheira de Soluções Sênior
da Geotab, esse tipo de análise é possível com o uso contínuo de
telemetria em veículos de frota. “A partir dos dados coletados pelos
veículos, combinados com modelos avançados de inteligência artificial e
machine learning, é possível acompanhar como o desempenho dos
deslocamentos muda em diferentes condições e identificar onde estão as
principais perdas de eficiência”, afirma.
Impacto varia entre as cidades e se intensifica no período da manhã
Entre as localidades incluídas no estudo, a capital paulista apresentou
maior sensibilidade à chuva (conforme a redução já citada). A capital
mexicana apresentou comportamento atípico, com leve aumento de
velocidade em dias chuvosos (+0,6%), enquanto Buenos Aires registrou
variação mais moderada (-0,5%).
Esse efeito também se concentra no início do dia nas cidades analisadas.
Às 7h, principal horário de deslocamento, a velocidade média cai 2,2% em
dias com chuva, considerando o conjunto das três metrópoles, o que
amplia a lentidão justamente no momento de maior demanda.
“Os dados mostram que, nos horários de maior fluxo, a redução de
velocidade aumenta o tempo total de deslocamento e reduz a produtividade
das operações de frota. Para as empresas, isso significa mais tempo a
cada viagem, um maior consumo de combustível e menor aproveitamento dos
veículos ao longo do dia”, diz a engenheira da Geotab.
Evento de fevereiro ilustra cenário crítico
Um dos episódios analisados no estudo ajuda a dimensionar esse cenário.
Em 10 de fevereiro de 2026, um volume de 29 milímetros de chuva provocou
quedas persistentes de velocidade ao longo do dia em São Paulo, um
exemplo de como eventos climáticos mais intensos levam a quedas mais
acentuadas na velocidade e alteram o padrão de condução.
Na mesma data, a cidade registrou o maior congestionamento do ano até
então, atingindo 1.054 quilômetros de lentidão por volta das 7h30,
segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) divulgados à
época.
Para Caroline, situações como essa têm impacto direto na eficiência das
frotas corporativas. “Em dias de chuva forte, a queda de velocidade vem
acompanhada de mais tempo em marcha lenta e maior variação no padrão de
condução, com acelerações e frenagens mais frequentes. Esse
comportamento aumenta o consumo de combustível e impacta diretamente o
custo e a eficiência das operações logísticas”, destaca.
Oscilações aumentam com maior volume de chuva
A análise da Geotab também identificou uma relação direta entre o volume
de precipitação e a variação da velocidade média. Em São Paulo, essa
oscilação foi a mais acentuada entre as cidades avaliadas, com variações
que vão de −14,8% a +9,4% dependendo das condições de cada evento.
Considerando as três metrópoles, a redução média foi de 1%. Embora o
percentual pareça limitado à primeira vista, ele ganha relevância quando
considerado o volume de milhões de deslocamentos diários, ampliando o
tempo total de circulação e os custos associados.
“Ao analisar esses padrões de forma contínua, com base em dados de
telemetria, é possível antecipar em quais condições o desempenho das
viagens tende a piorar. Isso permite ajustar rotas, horários e
planejamento de frota antes que o impacto aconteça.”, conclui a
engenheira.
Como o estudo foi feito
O levantamento da Geotab considerou os cinco dias úteis com maior volume
de chuva em cada cidade, com base em dados históricos da Open-Meteo,
excluindo fins de semana, feriados e datas próximas a esses períodos.
Para efeito de comparação, esses dias foram cruzados com dias sem chuva
— com precipitação inferior a 0,05 polegadas — no mesmo dia da semana e
em datas próximas, entre uma e três semanas anteriores ou posteriores. A
análise utilizou dados de telemetria de veículos em deslocamento e
comparou o comportamento do trânsito nos mesmos trechos e horários. Os
resultados foram consolidados por hora e por evento, com foco no período
entre 6h e 22h.
