Picsel e Essor Seguros firmam acordo reforçando a estratégia da Seguradora na integração de dados geoespaciais, históricos de produtividade e inteligência artificial na avaliação de risco no campo.
A Picsel, empresa brasileira de tecnologia especializada em análise de risco agrícola e inteligência de dados aplicada ao agronegócio, firmou parceria comercial com a Essor Seguros, segunda maior seguradora agrícola do país, segundo dados da SUSEP. A iniciativa permitirá que a seguradora utilize os modelos analíticos e a base de dados da Picsel para apoiar a avaliação de risco, com análises em nível de fazenda.
O acordo ocorre em um momento de grande desequilíbrio entre produção agrícola e proteção financeira no campo. O Brasil cultiva atualmente cerca de 97 milhões de hectares, mas apenas cerca de 2,3 milhões contam com seguro rural subvencionado, o equivalente a aproximadamente 2,3% da área plantada, segundo estudos da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) com base em dados do Ministério da Agricultura. Isso significa que aproximadamente 95% da área agrícola brasileira pode terminar o ano sem cobertura contra perdas climáticas, apesar da crescente frequência de eventos extremos como secas, excesso de chuvas e ondas de calor.
Esse cenário evidencia um desafio estrutural para o mercado. Enquanto o agronegócio brasileiro expande sua produtividade e consolida sua posição entre os maiores exportadores de alimentos do mundo, o seguro rural ainda enfrenta limitações relacionadas à disponibilidade de subsídios públicos, ao custo das apólices e às dificuldades de avaliação precisa do risco agrícola. Nos últimos anos, cortes no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e o aumento das indenizações decorrentes de eventos climáticos intensificaram a discussão sobre a necessidade de novas soluções tecnológicas capazes de tornar o seguro mais eficiente e acessível.
É nesse contexto que a parceria entre Essor e Picsel se insere. A tecnologia da empresa brasileira integra dados geoespaciais, históricos de produtividade, variáveis climáticas e algoritmos proprietários baseados em inteligência artificial para avaliar o risco produtivo e climático de cada propriedade rural. Essas informações são integradas diretamente aos sistemas da seguradora por meio de APIs, permitindo que a Essor utilize a inteligência analítica da Picsel dentro da própria plataforma de subscrição.
“Historicamente, o seguro agrícola no Brasil se baseou em médias municipais que muitas vezes não refletem a realidade de cada propriedade. Quando analisamos o risco em nível de fazenda, conseguimos capturar diferenças relevantes de clima, solo e histórico produtivo, o que permite estruturar produtos muito mais aderentes ao perfil de cada produtor”, afirma Vitor Ozaki, CEO da Picsel.
Na prática, o modelo permite que cada proposta de seguro seja analisada com base nas características específicas da área produtiva, o que pode impactar diretamente a produtividade segurada. Ao reduzir a dependência de médias regionais e ampliar a granularidade da análise de dados, a solução também contribui para diminuir assimetrias de informação no mercado e ampliar a capacidade das seguradoras de estruturar produtos mais competitivos.
A tecnologia já está em operação inicial e deve ganhar escala a partir da safra de soja que começa na segunda quinzena de abril em diversas regiões do país.
Para o mercado, iniciativas desse tipo refletem uma transformação mais ampla no uso de dados no agronegócio. O avanço de imagens de satélite, inteligência artificial e bases históricas de produtividade tem permitido análises cada vez mais detalhadas da dinâmica agrícola. Essa evolução abre espaço para que instrumentos financeiros, como crédito e seguro, sejam estruturados com maior precisão e previsibilidade.
“Para que o seguro rural evolua no Brasil, é fundamental incorporar tecnologias que permitam entender melhor o risco agrícola. Ao integrar a inteligência de dados aos nossos processos, conseguimos aprimorar a avaliação das propostas e oferecer produtos mais alinhados à realidade de cada produtor e de cada região”, conclui Raúl González, Head Agriculture Brazil da Essor Seguros.
Ao permitir análises mais detalhadas do risco agrícola, a parceria também aponta para um potencial de expansão relevante do mercado. Com milhões de hectares ainda sem proteção financeira contra perdas climáticas, soluções baseadas em dados e modelagem analítica tendem a desempenhar papel central na ampliação do acesso ao seguro rural e no fortalecimento da sustentabilidade do agronegócio brasileiro no longo prazo.
