Mais de 42 mil produtores foram beneficiados pelo seguro rural em 2025, protegendo R$ 17,8 bilhões em lavouras, rebanhos, florestas e benfeitorias
Quando se fala em seguro rural, a primeira imagem costuma ser a de uma lavoura protegida contra seca, granizo ou excesso de chuva. No entanto, as possibilidades de proteção no campo vão muito além da safra. Rebanhos, florestas, benfeitorias e outros bens diretamente relacionados à atividade agropecuária também podem ser segurados.
Os números mostram a dimensão dessa proteção no campo. Em 2025, mais de 42 mil produtores foram beneficiados pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), do Governo Federal. Ao todo, 3,2 milhões de hectares foram segurados, com R$ 17,8 bilhões em capitais protegidos, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.
A abrangência do seguro rural, porém, ainda pode surpreender quem associa o instrumento exclusivamente às plantações. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) reconhece modalidades de seguro agrícola, pecuário, aquícola, de florestas, de penhor rural, de benfeitorias e produtos agropecuários e de vida do produtor rural devedor de crédito rural.
Na prática, isso significa que diferentes partes da operação podem estar expostas a riscos seguráveis. Na agricultura, há produtos que podem cobrir perdas provocadas por eventos como seca, geada, granizo, incêndio, ventos fortes e chuvas excessivas. Na pecuária, a proteção pode alcançar animais destinados à produção, cria, recria e engorda, além de animais de trabalho e determinados reprodutores.
O avanço da modalidade pecuária ajuda a mostrar como esse mercado vem se diversificando. Em 2024, o PSR registrou mais de 6,3 mil apólices nessa categoria e aproximadamente R$ 4,4 bilhões em importância segurada.
Para Romário Alves, CEO e fundador da Sonhagro, maior rede de soluções para o produtor rural, conhecer as alternativas de proteção deveria fazer parte do planejamento financeiro da propriedade antes da contratação de crédito ou da realização de novos investimentos. “Quando o produtor calcula quanto precisa para plantar, ampliar a produção, comprar equipamentos ou investir no rebanho, ele também precisa avaliar o que aconteceria com o caixa se parte desse patrimônio fosse perdida. Gestão de risco e planejamento financeiro precisam caminhar juntos”, afirma.
A lógica vale também para estruturas e bens utilizados na atividade. O seguro de benfeitorias e produtos agropecuários, por exemplo, pode cobrir perdas ou danos a bens diretamente relacionados às atividades agrícola, pecuária, aquícola ou florestal, desde que atendidas as condições da apólice.
Isso não significa que todo risco esteja automaticamente protegido. As coberturas dependem do produto contratado, das condições estabelecidas pela seguradora e das exclusões previstas em cada apólice. Por isso, entender quais são os pontos mais vulneráveis da propriedade é parte importante da decisão.
“Não existe uma solução única para todo produtor. Quem trabalha com pecuária leiteira tem uma estrutura de custos e riscos diferente de quem cultiva soja, milho, café ou frutas. Antes de pensar na proteção, é preciso conhecer a própria operação, o patrimônio exposto e qual perda teria capacidade de comprometer o próximo ciclo”, explica Alves.
O custo da contratação também pode ser parcialmente subsidiado pelo Governo Federal. No Plano Trienal do PSR 2025–2027, o percentual geral de subvenção é de 40% do prêmio para as culturas e atividades contempladas pelo programa, com exceção da soja, para a qual o percentual é de 20%. Há ainda limites financeiros por beneficiário.
Para Romário, o seguro ganha relevância especialmente quando o produtor depende de crédito para financiar parte da atividade. “Uma perda não afeta apenas aquilo que foi produzido naquele momento. Dependendo do tamanho do prejuízo, ela pode reduzir a capacidade de pagamento, dificultar novos investimentos e comprometer a próxima safra. Por isso, proteção patrimonial, crédito e planejamento precisam ser analisados como partes da mesma estratégia”, conclui.
