Carlos Wizard aposta em franquias para expandir consórcios

Carlos Fuzinelli, CEO e cofundador

Investimento no consórcio coloca em debate o potencial de redes que crescem com conhecimento especializado e atendimento consultivo

Uma franquia pode crescer sem depender de vitrines, estoques ou cozinhas. Nas operações de serviços financeiros, a capacidade de transformar conhecimento especializado em atendimento padronizado é parte central do negócio.

A entrada de Carlos Wizard na sociedade da FVL Consórcios, ajuda a entender essa lógica: um empresário com investimentos em educação, alimentação e varejo passa a apostar na distribuição de consórcios por uma rede de empreendedores locais.

Para Carlos Fuzinelli, CEO e cofundador da FVL Consórcios, corretora especializada no planejamento para aquisição de bens e formação patrimonial, o principal desafio é transformar a experiência acumulada pela empresa em um método que possa ser aplicado pelos franqueados. Com mais de 15 anos de atuação no setor, o executivo lidera a expansão nacional da rede.

A atratividade dessas operações passa pela possibilidade de direcionar recursos para capacitação, tecnologia e desenvolvimento comercial. Uma estrutura física enxuta pode facilitar a entrada do empreendedor, mas a qualidade do atendimento depende de preparo e acompanhamento.

“Nas franquias financeiras, o conhecimento precisa chegar à ponta. Não basta conhecer o produto. É necessário entender o objetivo do cliente e preparar o franqueado para conduzir esse atendimento”, analisa o CEO.

Essa discussão acompanha o crescimento do franchising brasileiro. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, o setor faturou R$149 bilhões no primeiro semestre de 2026, com alta nominal de 9,7% sobre igual período do ano anterior.

A alimentação permanece entre os segmentos de maior expansão: a categoria que reúne restaurantes e serviços de alimentação avançou 13,7% no segundo trimestre. A abertura para outros modelos convive, portanto, com a força das atividades tradicionais.

O que o investidor compra nas franquias financeiras

Ao investir em uma rede de serviços, o empreendedor busca acesso a uma marca, a processos comerciais e a conhecimentos que levaria tempo para desenvolver sozinho. O valor dessa transferência depende de sua aplicação no cotidiano: como encontrar clientes, compreender suas necessidades, apresentar as condições do produto e acompanhar o relacionamento após a contratação.

Para o franqueador, o desafio é fazer com que a operação mantenha a qualidade ao crescer. Um negócio concentrado na habilidade pessoal dos fundadores pode funcionar bem em uma unidade, mas encontra dificuldades quando precisa ser reproduzido em diferentes cidades. Treinamento, critérios de atendimento e suporte à gestão passam a integrar a estratégia de expansão.

Fuzinelli associa essa necessidade à experiência adquirida na atividade comercial. “Na minha trajetória, aprendi que uma boa venda começa pela compreensão da necessidade de quem está do outro lado. Quando levamos isso para uma rede, o desafio é fazer com que essa capacidade deixe de depender de uma pessoa e passe a fazer parte da operação”, afirma.

A trajetória de Wizard oferece um contexto para essa aposta. Fundador de uma rede de idiomas, o empresário diversificou sua atuação com negócios como Mundo Verde e Taco Bell no Brasil. O ponto de conexão entre atividades tão diferentes está na capacidade de reproduzir uma operação comercial em novas localidades.

O mercado de consórcios, por sua vez, apresenta crescimento nas contratações. De janeiro a agosto de 2026, foram comercializadas 3,82 milhões de cotas, avanço de 15,1% sobre o mesmo intervalo do ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios. O volume de créditos comercializados atingiu R$389,59 bilhões. Esse montante representa o valor das cartas contratadas, e não o faturamento das corretoras.

Estrutura enxuta exige uma operação preparada

A possibilidade de operar com menor investimento em instalações amplia as alternativas para quem pretende empreender. Ainda assim, o resultado depende de fatores como custos de prospecção, despesas operacionais, produtividade comercial e tempo necessário para formar uma carteira de clientes. O tamanho da estrutura, isoladamente, não determina a viabilidade da unidade.

No atendimento relacionado ao consórcio, a preparação também envolve explicar o funcionamento da modalidade e a adequação do plano ao objetivo do comprador. A capacidade de conduzir essa conversa com clareza é parte do serviço que a rede precisa reproduzir.

Para o executivo, o suporte precisa acompanhar o crescimento da rede. “O franqueado deve saber como buscar clientes, organizar o atendimento e explicar o produto com clareza. Abrir unidades é uma etapa; desenvolver empresários capazes de conduzi-las é o que sustenta a expansão”, ressalta.

A aposta em serviços financeiros coloca a transferência de conhecimento entre os critérios de avaliação de uma franquia. Para quem pretende assumir uma unidade, isso significa examinar qual experiência a franqueadora oferece, como ela será transmitida e que apoio estará disponível para transformar esse aprendizado em uma operação comercial. É nessa entrega que uma rede baseada em serviços demonstra seu valor para o empreendedor.