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Especialista explica que esse tipo de seguro funciona como uma proteção financeira e se tornou indispensável no setor da estética
O Brasil é uma potência na área de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos ao redor do mundo, com mais de dois milhões de realizações por ano. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, o país também ocupa o segundo lugar nesses procedimentos não cirúrgicos, atrás apenas dos Estados Unidos. Esse crescimento acelerado vem acompanhado de um aumento proporcional nos riscos jurídicos para os profissionais da saúde. O que poucos sabem é que existe um seguro de Responsabilidade Civil Profissional (RPC), também conhecido como seguro para erro médico, que oferece cobertura para reclamações de terceiros decorrentes de falhas ou omissões cometidas.
Esse tipo de seguro funciona como uma rede de proteção para médicos, dentistas e outros profissionais habilitados que atuam com procedimentos estéticos e invasivos. A cobertura é acionada em situações em que o profissional é responsabilizado civilmente por danos causados ao paciente, sejam eles materiais, corporais ou morais, decorrentes de falhas, omissões ou até mesmo complicações inesperadas durante ou após os procedimentos. Nos últimos anos, o RPC deixou de ser opcional e passou a ser uma ferramenta estratégica para as finanças, explica Arthur Lemos, CEO e sócio-fundador da Empreender Dinheiro, um ecossistema de consultoria financeira, que une estratégias como seguros e investimentos diretos como forma de proteção e crescimento patrimonial:
“O ponto central é entender que, independentemente da experiência do profissional, o risco nunca é zero. Um processo pode gerar custos elevados com indenizações, honorários advocatícios e até acordos extrajudiciais. O seguro entra justamente para proteger o patrimônio pessoal e garantir continuidade financeira em situações adversas”, diz o especialista em finanças.
Na prática, ele é indicado para empresas e profissionais liberais que atuam em áreas de prestação de serviços, consultorias, atividades médicas, odontológicas, arquitetônicas, entre outras. O seguro cobre despesas jurídicas, custos de defesa e indenizações determinadas judicialmente ou acordadas entre as partes, respeitando os limites contratados. Em alguns casos, também pode incluir cobertura para danos estéticos, além de extensão para equipes auxiliares, como anestesistas e enfermeiros.
Outro ponto relevante é que a apólice pode ser personalizada de acordo com o perfil do profissional, levando em consideração especialidade, volume de atendimentos e tipo de procedimento realizado. Profissionais que atuam com harmonização facial, por exemplo, podem ter exposições diferentes de risco em comparação com cirurgiões plásticos, o que impacta diretamente no valor do prêmio e nas coberturas necessárias.
Além da proteção financeira, o seguro também contribui para a reputação do profissional. “Ter uma apólice ativa demonstra responsabilidade e preparo, inclusive na gestão de riscos. Isso transmite mais confiança ao paciente e pode ser um diferencial competitivo em um mercado cada vez mais exigente”, destaca o CEO da Empreender Dinheiro.
Apesar dos benefícios, o seguro não substitui boas práticas clínicas, informações bem esclarecidas, documentação adequada e nem isenta o médico de responsabilidade caso cometa um erro. Pelo contrário, as seguradoras costumam exigir protocolos rigorosos e podem negar cobertura em casos de negligência comprovada ou atuação fora das normas estabelecidas.
“A tendência é de que a demanda por seguros especializados continue crescendo, como forma de proteger o caixa da empresa, o paciente e a reputação do profissional”, explica Arthur.

